Entre o que se fala e o que se ensina: uma abordagem pedagógico-didático no ensino formal angolano

Between what is said and what is taught: a pedagogical-didactic approach in angolan formal education

Autores

  • João Pedro Pedro Universidade Njinga A Mbande - Malanje / Angola
  • Celestino Domingos Katala Universidade Agostinho Neto - Angola
  • Alexandre António Timbane Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Palavras-chave:

Fala, Ensino, Pedagógico, Didático, Angola

Resumo

O presente artigo pretende debater as várias questões de natureza pedagógico-didática, que no ensino da língua Portuguesa no contexto angolano trazem consigo lacunas e situações adversas alheias ao entendimento do docente que preconceitua linguisticamente os seus alunos por não se adequarem ao que ele ensina (nomenclatura gramatical). Outrossim abordamos as várias teorias sobre o ensino da língua numa realidade plurilíngue como a nossa, em que desde muito cedo, boa parte dos alunos tem de lidar com realidades linguísticas diferentes num mesmo espaço interacional, casa-rua-escola, e como isso dificulta o seu modo de expressar-se, muitas vezes  por ser estigmatizado pelos colegas e pelo próprio professor que tendo conhecido e aprendido apenas uma situação comunicativa, pretende fazer o mesmo com os seus estudantes, obedecendo às planificações nacionais sem levar em conta a realidade com aluno. Da pesquisa se conclui que o trabalho do professor de língua portuguesa deve estar alicerçado em teorias linguísticas que valorizem a variabilidade linguística aproveitando-se dos conhecimentos que o aluno traz de casa. Ensinar a língua portuguesa é mostrar os diversos usos das línguas e variedades em diferentes contextos.

***

This article aims to discuss the various issues of a pedagogical-didactic nature, which in the teaching of the Portuguese language in the Angolan context bring with them gaps and adverse situations beyond the understanding of the teacher who linguistically prejudices his students for not adapting to what he teaches. (grammatical nomenclature). Furthermore, we approach the various theories about language teaching in a plurilingual reality like ours, in which, from a very early age, most students have to deal with different linguistic realities in the same interactional space, home-street-school, and how this makes it difficult to their way of expressing themselves, often due to being stigmatized by colleagues and by the teacher himself, who, having known and learned only one communicative situation, intends to do the same with his students, obeying national plans without taking into account the reality with the student. The research concludes that the work of the Portuguese language teacher must be based on linguistic theories that value linguistic variability, taking advantage of the knowledge that the student brings from home. Teaching the Portuguese language is showing the different uses of languages ​​and varieties in different contexts.

***

Cet article vise à discuter des différentes questions de nature pédagogique et didactique qui, dans l'enseignement de la langue portugaise dans le contexte angolais, entraînent des lacunes et des situations défavorables au-delà de la compréhension de l'enseignant qui porte préjudice linguistiquement à ses élèves pour ne pas s'adapter. à ce qu'il enseigne (nomenclature grammaticale). De plus, nous abordons les différentes théories sur l'enseignement des langues dans une réalité plurilingue comme la nôtre, dans laquelle, dès le plus jeune âge, la plupart des élèves doivent faire face à des réalités linguistiques différentes dans le même espace interactionnel, maison-rue-école, et comment cela rend difficile leur façon de s'exprimer, souvent du fait d'être stigmatisé par des collègues et par l'enseignant lui-même, qui, n'ayant connu et appris qu'une seule situation communicative, entend faire de même avec ses élèves, obéissant aux plans nationaux sans tenir compte la réalité avec l'élève. La recherche conclut que le travail du professeur de portugais doit être basé sur des théories linguistiques qui valorisent la variabilité linguistique, en tirant parti des connaissances que l'élève apporte de chez lui. Enseigner la langue portugaise, c'est montrer les différents usages des langues et des variétés dans différents contextes.

Biografia do Autor

João Pedro Pedro, Universidade Njinga A Mbande - Malanje / Angola

É Mestre em Linguística do Português, Docente da Universidade Njinga A Mbande-Angola, no Instituto Politécnico, onde ministra as cadeiras de Língua Portuguesa, Metodologia de Ensino do Português L2, Técnica de Comunicação Oral e Escrita, Sintaxe e Semântica do Português. É pesquisador nas áreas de Didática e Metodologia do Ensino do Português e do Inglês, Comunicação e Linguagem. É Docente convidado pelo Instituto Superior Politécnico Cardeal Dom Alexandre do Nascimento atuando nas Cadeiras de Linguística do Português, Sintaxe e Semântica do Português e Literatura Brasileira. Publicou vários artigos publicados em revistas internacionais nas áreas descritas.

Celestino Domingos Katala, Universidade Agostinho Neto - Angola

é licenciado em Língua e Literatura em Língua Portuguesa, pela Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto-Angola, é escritor e professor de Língua Portuguesa e de Literatura Angolana no Instituto Politécnico; é vencedor do Prêmio Imprensa Nacional de Literatura Edição 2021; É membro do Movimento dos Novos Intelectuais de Angola, investigador em Ciências Humanas com realce para o ensino da língua Portuguesa vs línguas bantu em Angola. Possui vários artigos científicos publicados em revistas internacionais

Alexandre António Timbane, Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira

Doutor em Linguística e Língua Portuguesa, professor da Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Instituto de Humanidades e Letras, Membro do Grupo de Pesquisa África-Brasil: produção de conhecimento, sociedade civil, desenvolvimento e Cidadania Global.  

Referências

ANGOLA. Constitução da República de Angola. Luanda, 2010

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. São Paulo: Parábola, 2003.

ARROYO, Miguel G. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. 52.ed. São Paulo: Loyola, 2009.

BANZA, Ana Paula. O português em angola: uma questão de política linguística.O Universal e o Particular: uma Vida a Comparar, Edições Colibri, Lisboa, p. 29-38.

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em língua materna: a Sociolingüística na sala de aula. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.

CALOSSA, Bernardino Valente.Português lingua materna e nao materna em Angola:implicações didáticas e políticas. In: TIMBANE, Alexandre António; SASSUCO, Daniel Peres; UNDOLO, Márcio. (Org.). O Português de/em Angola: Peculiaridades linguísticas e a diversidade no ensino. São Paulo: Opção, 2021, p.142-159.

COELHO, Fábio André Cardoso; SILVA, Jefferson Evaristo do Nascimento; CONFORTE, André Nemi (Org.). Descrição e ensino de língua portuguesa: temas contemporâneos. Série Língua Portuguesa e Ensino. Vol.6. Rio de Janeiro: Dialogarts, 2018.

COELHO, Izete Lehmkuhl et al. Para conhecer a sociolinguística. São Paulo: Contexto, 2015.

DUARTE, Denise Aparecida Schirlo. O ensino de Língua Portuguesa: perspectivas e contradições. Instituto Federal do Paraná. 2008. Disponível em: http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/137-4.pdf . Acesso em: 11 mai. 2022.

EXECUTIVE CENTER. Publicidade angolana, a melhor da África. 2010. Disponível em: <https://grupoexecutive.wordpress.com/2010/03/19/publicidade-angolana-a-melhor-de-africa/>. Acesso em: 6 de jun. 2022.

FARACO, Carlos Alberto. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola, 2008.

FERNANDO, Mbiavanga; TIMBANE, Alexandre António. Emergência da normatização das variedades do português de angola e de Moçambique: avanços e desafios. In: LANGA DA CÂMARA, Crisófia; TIMBANE, Alexandre António.(Org.). Estudos linguísticos e literários sobre Moçambique. Itapiranga/SC: Schreiben, 2022.p.149-174.

FERREIRA, Kimavuidi., & OSÓRIO, Paulo. A variedade angolana do português: contexto histórico e (socio)linguístico. fólio - Revista De Letras, 10(1),2018.

GASPAR, Sofia Isabel Neves Fernandes. A língua portuguesa em Angoa: contributos para uma metodologia de Língua Segunda. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova do Porto, Porto, 2015.

HERNANDEZ, Fernando. Transgressão e mudanças na educação: os projetos de trabalho. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

KRAMER. Sônia. O que é básico na escola básica: Contribuições para o debate sobre o papel da escola na vida social e na cultura. In: KRAMER, Sônia; LEITE, Maria Isabel Ferraz Pereira (Org.). Infância e produção cultural. 4 ed. Campinas: Papirus, 2005, p. 11-24.

LABOV. William. Padrões sociolinguísticos. São Paulo: Parábola, 2008.

LUFT, Celso Pedro. Língua e Liberdade. 2.ed. Porto Alegre: L & PM Editores, 1998.

Martinho, Ana Maria M. A língua portuguesa em África: educação, ensino, formação. Évora, Pendor, 1995.

MINGAS, Amélia Arlete. Interferência do Kimbundo no Português falado em Lwuanda. Luanda: Caxinde, 2000.

MINGAS, Amélia Arlete. “quo vadis” língua portuguesa? Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras. São Francisco do Conde (BA), vol.2, nº 1, p.557-565, jan./jun.2022.

NAUEGE, João Muteteca. As formas de tratamento no português de Angola: Contributo semântico-pragmático. In: TIMBANE, Alexandre António; SASSUCO, Daniel Peres; UNDOLO, Márcio. (Org.). O Português de/em Angola: Peculiaridades linguísticas e a diversidade no ensino. São Paulo: Opção, 2021, p.123-141.

MOLLICA, Maria Cecília; BRAGA, Maria Luiza (Org.). Introdução à sociolinguística: o tratamento da variação. São Paulo: Contexto, 2004.

NDOMBELE, Eduardo David, & TIMBANE, Alexandre António. O ensino de língua portuguesa em angola: reflexões metodológicas em contexto multilíngue. Fólio - Revista de Letras, Vol.12, nº1, p.13-42, 2020.

OLIVEIRA, Yara de. Didática e metodologia de ensino de língua portuguesa e literatura. Indaial: UNIASSELVI, 2015.

PERINI, Mário. A gramática descritiva do português. São Paulo: Ática, 2002.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB/Mercado de Letras, 1996.

SANTANA, Yuran Fernandes D.; TIMBANE, Alexandre António. Evidências sociolinguísticas da variedade angolana do português e o combate ao preconceito linguístico. In: TIMBANE, Alexandre António; SASSUCO, Daniel Peres; UNDOLO, Márcio. (Org.). O Português de/em Angola: Peculiaridades linguísticas e a diversidade no ensino. São Paulo: Opção, 2021. p.54-80.

SANTOS, Eduardo Ferreira dos. A categoria tópico no português de Angola. Linha d’Água (24), 116-126, 2011.

SANTOS, Leonor. Novos desafios no ensino do português. Santarém: Escola Superior de Educação de Santarém, 2011.

SASSUCO, Daniel Peres. Problemática de contacto das línguas bantu de angola e o português: um olhar sobre o contacto fonético-fonológico. In: TIMBANE, Alexandre António; SASSUCO, Daniel Peres; UNDOLO, Márcio. (Org.). O Português de/em Angola: Peculiaridades linguísticas e a diversidade no ensino. São Paulo: Opção, 2021. p.13-42.

SAUSSURE, Ferdinad de. Curso de linguística geral. São Paulo: Cultrix, 2006.

SILVESTRE, Osvaldo Manuel. “A minha pátria é a língua portuguesa (desde que a língua seja a minha” in: O trabalho da Teoria. Colóquio em homenagem a Vitor Aguiar e Silva.Ponta Delgada.Universidade dos Açores, 2008.

TIMBANE, Alexandre António; SASSUCO, Daniel Peres; UNDOLO, Márcio. (Org.). O Português de/em Angola: Peculiaridades linguísticas e a diversidade no ensino. São Paulo: Opção, 2021.

VIEIRA, Silvia. Amostras de fala do “Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias”, s.d. Disponível em: . Acesso em: 12 mai. 2022.

Downloads

Publicado

10-06-2022

Como Citar

Pedro, J. P., Katala, C. D., & Timbane, A. A. . (2022). Entre o que se fala e o que se ensina: uma abordagem pedagógico-didático no ensino formal angolano: Between what is said and what is taught: a pedagogical-didactic approach in angolan formal education. NJINGA E SEPÉ: Revista Internacional De Culturas, Línguas Africanas E Brasileiras, 2(1), 537–556. Recuperado de https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/702

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)