NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape <p>​A <strong>Revista Científica Njinga &amp; Sepé</strong> <strong>(ISSN: 2764-1244)</strong> foi criada em homenagem a Rainha africana Njinga Mbandi e ao guerreiro indígena brasileiro Sepé Tiarajú. A Revista respeita a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos (1996), a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural (2002) e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (2006).</p> <p>A <strong>Revista Njinga &amp; Sepé</strong> aceita e publica textos escritos em <strong>qualquer língua africana</strong> ou <strong>indígena brasileira</strong> e vídeos de línguas de sinais. Abre-se exceção especial para todas as línguas de Timor Leste por ser país parceiro da UNILAB. Os textos escritos em qualquer outra língua europeia (espanhol, francês, português ou inglês) deverão estar acompanhados de um resumo numa <strong>língua africana ou indígena brasileira</strong>. As línguas de sinais terão 2 resumos e um vídeo de no maximo 10 min. A Revista publicará um (1) volume por ano, com dois números (1º número. em maio e 2º número em outubro) e ocasionalmente um <strong>volume especial</strong> a depender da demanda dos autores e da Comissão Científica.</p> <p><em>A</em><strong> Revista Njinga &amp; Sepé </strong>é composta por seis (6) seções: <strong>Seção I</strong> - Artigos inéditos e traduções/interpretações; <strong>Seção II</strong> - Entrevistas, resenhas de livros; <strong>Seção III</strong> - Poesias e Letras de canções populares; <strong>Seção IV</strong> - Relatos de experiências, fotos, receitas de comidas tradicionais, ritos e festividades ; <strong>Seção V</strong> - Provérbios, tabus, mitos e outras;<strong> Seção VI</strong> - Línguas de sinais . Cada autor escolherá uma seção. É importante fazer o cadastro porque todos os textos deverão ser submetidos pelo site da Revista. Bem hajam as culturas, tradições e línguas dos povos indígenas, dos povos africanos e do povo de Timor Leste. </p> <p>Todos os textos recebidos são primeiramente submetidos a verificação da originalidade com o uso do software Turnitin Originality, da empresa Turnitin para a detecção de similaridade textual e integridade em textos acadêmicos (antiplágio): <a href="https://www.turnitin.com/products/originality">https://www.turnitin.com/products/originality</a>. Os textos aprovados nesta fase são submetidos a avaliação dos pares (às cegas) para a definição da aprovação ou não.</p> <p>O acesso aos trabalhos publicados é inteiramente gratuito</p> <p>Os autores não pagam e nem recebem nenhum tributo financeiro pela contribuição e publicação</p> <p>Os editores, avaliadores, tradutores, Comité Científico e outros colaboradores participam voluntariamente.</p> Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira pt-BR NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras 2764-1244 <div>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</div> <div> <p>1.Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License o que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.</p> <p>2.Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.</p> <p>3.Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).</p> </div> APRESENTAÇÃO https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/867 Alexandre António Timbane Quibongue Mudiambu Eduardo David Ndombele Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 1 15 A concepção, o tratamento e divulgação de notícias para a comunidade surda na TV Surdo Moçambique: entrevista https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/862 <p>Entrevista completa aqui:<strong><a title="Entrevista Completa" href="https://youtu.be/pGeLzIs73IQ%20"> https://youtu.be/pGeLzIs73IQ</a></strong></p> <p>Em Moçambique, os surdos sinalizam a Língua Moçambicana de Sinais (LMS). De acordo com Bavo e coelho (2021), os surdos moçambicanos fazem parte de uma minoria linguística que representa 0,3% (68.327 pessoas) dos 27 milhões de habitantes (INE, 2017). A LMS é uma linguas autónoma, completa com estrutura gramatical própria satisfazendo plenamente as necessidades comunicativas. É nesta perspetiva que grupo de jovens moçambicanos se reuniram e criaram a TVSurda, uma televisão que prepara programas informativos para compartilhar com outros canais que não têm o viés inclusão.Para além disso, o material é compartilhado nas redes sociais. Mariama Turé, estudante da Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Campus dos Malês entrevistou o coordenador da TV para saber da iniciativa, dos desafios e perspectivas dessa TV que é de suma importância para a comunidade surda que em muitos momentos foi excluida da sociedade. É um projeto novo e interessante que deveria ser seguido em vários países da África. Ao incluir o surdo no exercicio da cidadania, estamos garantindo a igualdade prevista na Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p> <p>***</p> <p><strong>Résumé</strong>: Au Mozambique, les sourds signent la langue des signes mozambicaine (LMS). Selon Bavo et Coelho (2021), les sourds mozambicains font partie d'une minorité linguistique qui représente 0,3 % (68 327 personnes) des 27 millions d'habitants (INE, 2017). LMS est un langage autonome, doté de sa propre structure grammaticale, satisfaisant pleinement les besoins de communication. C'est dans cette perspective qu'un groupe de jeunes mozambicains s'est réuni et a créé TVSurda, une télévision qui prépare des programmes informatifs à partager avec d'autres chaînes qui n'ont pas de biais d'inclusion.De plus, le matériel est partagé sur les réseaux sociaux. Mariama Turé, étudiante à l'Université d'intégration internationale de Lusofonia afro-brésilienne, Campus dos Malês a interviewé le coordinateur de la télévision pour en savoir plus sur l'initiative, les défis et les perspectives de cette télévision, qui est d'une importance primordiale pour la communauté sourde qui a souvent été exclus de la société. C'est un projet nouveau et intéressant qui devrait être suivi dans plusieurs pays d'Afrique. En incluant les sourds dans l'exercice de la citoyenneté, nous garantissons l'égalité prévue par la Déclaration universelle des droits de l'homme.</p> Mariama Turé Alexandre António Timbane Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 382 384 KAKULU: kuxika ndamba, marimba, kukalela ni kukina https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/853 <p>KIBA-MWENYU (pseudónimo do poeta António Marques) é natural de Icolo-e-Bengo, Angola. Iniciou sua atividade literária em Luanda com poemas subsequentemente reunidos em livros: Mukumbu ni Mulokoso (2005) e Ixinganeku (2005) edições do autor, sem tradução. Em 2006 publicou Difuta com tradução portuguesa; Jimbundu ja Dikumbi (2009) e Miloza (2009) ambos com tradução inglesa do autor. O Departamento de Letras da Universidade de Califórnia, Irvine, concedeu-lhe um “Grant” a fim de escrever em Kimbundu e traduzir a própria obra, Ngundu-wa-Ndala (2008), para inglês. Este conjunto de obras constitui as primeiras coletâneas de poesias em livros, originalmente escritos e publicados em Kimbundu (ou melhor, em qualquer língua nacional) na história moderna da literatura Angolana. Kiba-Mwenyu possui Pós-graduação em Gestão de Saúde Global.</p> <p>***</p> <p><strong>Résumé</strong>: KIBA-MWENYU (pseudonyme du poète António Marques) est né à Icolo-e-Bengo, en Angola. Il a commencé son activité littéraire à Luanda avec des poèmes rassemblés par la suite dans des livres: “Mukumbu ni Mulokoso” (2005) et “Ixinganeku” (2005) éditions de l'auteur, sans traduction. En 2006, il publie “Difuta” avec traduction portugaise; “Jimbundu ja Dikumbi” (2009) et “Miloza” (2009) tous deux avec la traduction anglaise de l'auteur. Le Département des lettres de l'Université de Californie à Irvine lui a décerné une « Grant » afin d'écrire en Kimbundu et de traduire son propre travail, Ngundu-wa-Ndala (2008), en anglais. Cet ensemble d'œuvres constitue les premiers recueils de poésie en livres, écrits et publiés à l'origine en Kimbundu (ou plutôt, dans n'importe quelle langue nationale) dans l'histoire moderne de la littérature angolaise. Kiba-Mwenyu est titulaire d'une post-graduation en Gestion de la Santé Mondiale.</p> António Marques Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 385 388 Poesia em língua cisena: Moçambique https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/848 <p>A poesia é expressão de sentimentos e ideias. Amar a pátria passa necessariamente pelo estabelecimento de vinculo de identidade e de pertencimento. A língua cisena é uma lingua bantu falada na Cidade da Beira e em 22 distritos de 4 províncias de Moçambique: Província de Manica (Distrito de Gondola, Guru, Macosa e Tambara), Província de Sofala (Cidade da Beira e os distritos de Caia, Chemba, Cheringoma, Dondo, Gorongoza, Maringue, Marromeu, Muanza, Nhamatanda), Província de Tete (Distritos de Changara, Moatize e Mutarara) e Província de Zambézia (Distritos de Chinde, Inhanssunge, Mocuba, Mopeia e Morrumbala, Nicoadala). Além de Moçambique, Cisena é falado também nas Repúblicas de Malawi e de Zimbabwe (NGUNGA; FAQUIR, 2012).</p> José Gil Vicente Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 389 393 Poesia na língua Dzubukuá-kariri-kipea declamada por Idiane Crudzá da etnia Kariri Xocó (Alagoas) https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/863 <p>Link da poesia em video: <strong><a href="https://youtu.be/V_4KxDwp7FM">https://youtu.be/V_4KxDwp7FM</a></strong></p> <p><strong>Idiane Crudzá</strong>: indígena do povo Kariri-Xocó originário de Alagoas. Dubo-heri que significa “mestra” na língua Dzubukuá-kariri-kipea é educadora da Escola Espaço Subatekerá Nunú. Ela é mãe, representante no GT das línguas indígenas da região nordeste da Década Internacional das Línguas Indígenas (DILI 2022-2032) instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas proclamado pela UNESCO em 2019. A dubo-heri é guardiã da tradição do povo Kariri-Xocó. Ela faz um trabalho voluntário de revitalização linguística da língua Dzubukuá - Kariri -Kipea com crianças da etnia Kariri-Xocó e com pessoas adultas de diversas etnias Kariris originárias da região nordeste, dispersas em diversas cidades brasileiras. Por meio das ferramentas digitais, faz as distâncias territoriais se tornarem proximidades de reafirmações linguísticas e afetivas e contribuindo para processos de curas. Ynatekié amé cribuné. Gratidão por tudo.</p> Idiane Crudzá Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 394 398 Omukuto wOitevo ipe yOshikwanyama https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/854 <p>A poesia é a arte de dizer muito sem dizer nada, é a arte de explorar o silêncio do som, das palavras e das letras e carrega-lo de sentidos, que parecem nunca terem sido escutados, ouvidos ou lidos. A poesia é isto: é o mundo que se vê, é o ruido que se ouve, é o cheiro que se cheira, é tudo e mais nada. A poesia é a expressão de quem fala, mas também de quem não fala. É nessa dança de palavras que se veiculam os quatro poemas em Oshikwanyama (Cuanhama), uma língua falada pelo povo Kwanyama (Cuanhama), na região sul de Angola e no norte da República da Namíbia. “Festus hilifavali”: Uma ronda pelo âmago do silencio e do brado de quem brada, um poema, um retrato do clamor da minha voz, a voz que quer, mas obstruída, a voz das alegrias, das tristezas, a minha. Esta voz, que se mistura na gastronomia da poesia moderna em Oshikwanyama, uma língua angolana da região sul, e namibiana, na região norte. O poema “Ondi kwete opena" embriaga-se na atmosfera de uma sátira, uma sociedade, uma camada juvenil, hábitos, a ética e as atitudes quotidianas. “Abrão Mwaulange”: Os três poemas estão interligados, na medida em que há uma simbiose agradável e comum. Assim, o primeiro, “Meumbo” (em/casa do povo Ovawambo) é um local de convívio e aprendizagem permanente, e aliado ao segundo “December=kuugumene” (Dezembro), mês da família e de reencontros dos entes queridos, na ceia Natalina, e, em casa “meumbo”, e num momento de bênção pela graça, a terra recebe as gotas de água de uma chuva miúda, serena e tranquila.</p> José Evaristo Kondja Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 399 406 Tradução dos poemas de Ernesto Rodrigues de português para árabe https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/864 <p>Video das poesias traduzidas: <strong><a href="https://youtu.be/2zdb1sTA6zw">https://youtu.be/2zdb1sTA6zw</a></strong></p> <p>Ernesto Rodrigues (1956) é poeta, novelista, dramaturgo, cronista, crítico, ensaísta, editor literário e tradutor. Doutor e agregado pela Universidade de Lisboa, em cuja Faculdade de Letras ensina desde 1989, foi jornalista (1979-1980), leitor de Português em Budapeste (1981-1986) e o primeiro presidente da Academia de Letras de Trás-os-Montes (2010-2013). Preside à Mesa da AG do PEN Clube Português (2019-2022). Alguns títulos, desde a estreia, em 1973: poesia – <em>Sobre o Danúbio</em>, 1985; <em>Do Movimento Operário e Outras Viagens</em>, 2013; <em>Perseu</em>, 2020; ficção – <em>A Flor e a Morte</em>, 1983; <em>A Serpente de Bronze</em>, 1989; <em>Torre de Dona Chama</em>, 1994; <em>O Romance do Gramático</em>, 2011; <em>A Casa de Bragança</em>, 2013; <em>Passos Perdidos</em>, 2015; <em>Uma Bondade Perfeita</em>, 2016 (Prémio PEN Clube – Narrativa); <em>Um Passado Imprevisível</em>, 2018; <em>A Terceira Margem</em>, 2021; teatro – <em>Teatro</em>, 2021; ensaio – <em>Mágico Folhetim. Literatura e Jornalismo em Portugal</em>, 1998; <em>Cultura Literária Oitocentista</em>, 1999; <em>Verso e Prosa de Novecentos</em>, 2000; <em>Crónica Jornalística. Século XIX</em> (2004); <em>5 de Outubro – Uma Reconstituição</em> (2010); <em>Ensaios de Cultura</em>, 2016; <em>Literatura Europeia e das Américas</em>, 2019; <em>Portugal segundo Trás-os-Montes e Alto Douro</em>, 2021. Editor literário de dezenas de títulos de autores nacionais – salientando-se João de Barros, Tomé Pinheiro da Veiga, António Vieira, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, Ramalho Ortigão, António José Saraiva –, traduziu, ainda, uma vintena de obras húngaras, entre 1983 e 2021.</p> Nadia Tadlaoui Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 407 414 Enraizando Sonhos, Silene Capensis https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/842 <p>Tempo, sonho e vida. Três palavras tão entrelaçadas, unidas em amplos sentidos, em uma livre poética. Como falar desses temas sem citar o título - <em>Silene Capensis</em> – isto é, a Raiz Africana dos Sonhos! A vida e o tempo movimentam, interage com a nativa atmosfera dos vales e rios da província do Cabo Oriental da África do Sul, pedaço da nossa origem e civilização. Tais flores dessa planta abrem durante a noite e fecham durante o dia, são muito perfumadas e como essas devem ser nova luta sagrada e diária. Dizem as lendas, e também nossos contemporâneos e extemporâneos, que a raiz é o que sustenta a vida! Assim sendo, é no moer da raiz que se preparar a branca espuma espessa – capaz de melhorar o humano lúcido sonho. Em tempos severos e pandêmicos sustenta vida? Como não sucumbir nossa esperança? Passamos por hostis políticas e que muito expõe, de forma escancarada, tempos de desigualdade social. Precisamos sonhar, carecemos de temporadas para refletir e agir em prol da vida. Poesia é chamado, fique antenado!</p> <p>***</p> <p>Le temps, le rêve et la vie. Trois mots ainsi entremêlés, réunis au sens large, dans une poétique libre. Comment parler de ces thèmes sans mentionner le titre - Silene Capensis - c'est-à-dire la Racine Africaine des Rêves ! La vie et le temps bougent, interagissent avec l'atmosphère native des vallées et des rivières de la province du Cap oriental en Afrique du Sud, un morceau de notre origine et de notre civilisation. De telles fleurs de cette plante s'ouvrent la nuit et se ferment le jour, elles sont très parfumées et comme celles-ci elles doivent être un nouveau combat sacré et quotidien. Les contes, ainsi que nos contemporains et improvisés, disent que la racine est ce qui soutient la vie ! C'est donc dans le broyage de la racine que l'on prépare l'épaisse mousse blanche, capable d'améliorer le rêve lucide humain. Maintient-il la vie en période de crise et de pandémie ? Comment ne pas succomber à notre espérance? Nous avons traversé une politique hostile qui expose ouvertement des périodes d'inégalité sociale. Nous avons besoin de rêver, on n’a pas un moment pour réfléchir et agir pour la vie. La poésie est un appel, restez connectés !</p> Marcelo Calderari Miguel Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 415 421 Análise de estratégias de ensino de alunos surdos com base nas TIC’s Caso da Faculdade de Educação da UEM https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/850 <h1>Link do video da Língua Moçambicana de Sinais: <a href="https://youtu.be/rrGO3g8VPuc">https://youtu.be/rrGO3g8VPuc</a></h1> <p>O surdo na perspectiva sócio - cultural é um individuo pertencente a uma comunidade de minoria linguística, que usa a língua de sinais para a sua comunicação e no nosso contexto educacional enfrenta muitas dificuldades desde o ensino primário ao superior causada pelas dificuldades na comunicação com as pessoas da comunidade maioritária ouvinte. O presente trabalho tem por objectivo analisar as estratégias de ensino utilizadas com base nas TIC’s para a melhoria do processo de ensino e aprendizagem de alunos surdos matriculados no ensino superior em Moçambique. Durante a realização optamos por abordagem qualitativa, com os métodos de pesquisa acção e história de vida, na pesquisa descritiva, onde evidenciamos os estudantes surdos no ensino superior. Neste estudo nosso principal foco foi perceber como as TIC podem ajudar no processo educativo e que ferramentas e recursos favorecem os alunos surdos. Apesar dos avanços alcançados com mais de duas décadas de inclusão, o sistema de ensino para surdos continua com certas restrições pela falta de proficiência linguística dos professores na comunicação com alunos surdos e falta de recurso e meios de ensino que facilitem os processo ensino e aprendizagem. Neste estudo, percebemos que a perspectiva sócio cultural é adequando para caracterizar as pessoas surdas sempre que pretendemos intervir no contexto educativo e a educação para estes alunos deve ter em conta as suas especificidades, não abandonando as características das suas comunidades minoritárias linguísticas. Com o avanço tecnológico, aliado a evolução da indústria de telefonia móvel e o desenvolvimento gerações dos sistemas de comunicação, o sistema educativo poderá beneficias de maiores impulsos na elaboração de recursos e meios didácticos para a inclusão e melhoria do ensino dos alunos surdos no ensino superior em Moçambique.</p> Nehemia Gilberto Raul Zandamela Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 422 423 Registros sobre mulheres surdas na História https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/847 <p>Este artigo teve por objetivo investigar registros históricos sobre mulheres surdas. Para atender ao objetivo proposto, o texto foi dividido em três grandes momentos: análise de produções publicadas sobre a história dos surdos, para verificar se há registros da presença de mulheres surdas, pois percebe-se que há mais registros sobre homens do que sobre mulheres; levantamento sobre registros de histórias de mulheres surdas no Brasil; apresentação de biografias de algumas mulheres surdas reconhecidas pelas comunidades brasileira e mundial. Os resultados permitem que seja reconhecida à importância das histórias das mulheres surdas do passado e do presente, a fim de proporcionar um futuro diferente, bem como construir uma representação que possa ser modelo para a valorização das futuras gerações destas mulheres. Com esta pesquisa pretendeu-se inspirar e incentivar o reconhecimento da presença, da resistência e da importância das mulheres surdas pela sua comunidade, e a equidade de direitos entre homens e mulheres surdos.</p> <p>***</p> <p>This paper’s goal is to survey the historical records on Deaf women. The text was divided into three main moments: analysis of published productions about Deaf history, searching for records of the presence of Deaf women, for we perceive that there are more records about Deaf men than women in Brazil; survey on records of Deaf women’s personal stories in Brazil; presentation of biographies of some Deaf women who are acknowledged by the Deaf community both in Brazil and world widely. The results sustain the recognition of the importance of Deaf women’s histories from the past and present, in order to provide for a different future. The results also show the basis for building a role-model representation for future generations of Deaf women. This research also intends to inspire and foster the recognition of the presence, resistance, and relevance of Deaf women in their own community, as well as the equity between the rights of Deaf men and women.</p> <p> </p> Danilo da Silva Knapik Angela de Fatima Girardi Stelmacki Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 424 444 Ndiatulu i tata Agostinho Neto mu kula nsi (1947-1975) https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/784 <p>Mambu mu lukuku zi nsi ilele ku ntoto ‘Ngola buna bu tona mvita, mu nvu i 1961 ai 1975, mfumu zi tatu — Holden Roberto i libundu li UPA-FNLA, António Agostinho Neto, tata basi MPLA ai Jonas Malheiro Savimbi mfumu i UNITA — ba liasia mvita buinji nsi i kukua mu mioko mputu nkandi. Vanji, mfumu ubaka mvita ai unangunua ilimbu ci likuku lu ‘Ngola buna bu yambulua ai Mputu nkandi kuna buala buandi, Agostinho Neto na bu ta cimbanji. Mu ilumbu aci bi ta lubutulu luandi, luzabu’abu ncinji nanjikia nzila ina Neto ku ta buinji kula nsi i ‘Ngola muna lizina li MPLA. Vanji, ciuvu civuizi nsinji zaba, bunsi andi na tata Neto ku fuika muna kutulua makanda mu‘Ngola muna mu lele ivika, tona kuandi vana ka ienda ku Mputu muna nvu i 1947 de vana ka vumukua lipanda muna nvu i1975. Nvutu i ta cimbanji ci Neto muzabegene muna luzingu ku nata mu ibila ci nsi, tona kuandi buna ka ienda ku Mputu de vana ku vutukua ku ‘Ngola. Mu ibil’ocio munu nvu i 1975 buna nsi ikukua muna mioko mu tata Neto, viokeze zabana mu lizina li tata Manguxi ai tata Kilamba, buau nza ionso i ‘Ngola ukunangasia. Neto, mfumu u MPLA, nandi u vioka zi mfumu zionso vana kula nsi i ‘Ngola, nandi uiteua tata mu babonso, ono uvekua buinji ku tunga nsi i ‘Ngola muna mu lele zi nhenze zi ntoto.</p> <p>*** </p> <p>O nacionalismo independentista angolano, 1961-1975, é dirigido por três figuras emblemáticas — Holden Roberto, da UPA-FNLA, António Agostinho Neto, do MPLA, e Jonas Malheiro Savimbi, da UNITA. Salienta-se, contudo, que das negociações entre os movimentos de libertação angolanos e Portugal, no Alvor, foi validada a independência proclamada pelo MPLA dirigido por Agostinho Neto. Neste estudo, no contexto da história política da libertação de Angola e em virtude do 99º aniversário de Agostinho Neto, propõe-se discorrer o trajeto político do primeiro presidente de Angola independente. Questiona-se, desta feita, à luz da realidade colonial e das suas implicações em Angola, quem é Agostinho Neto entrementes aos anos de 1947 e 1975. Para responder à questão, o estudo serve-se da análise prosopográfica e da história dos conceitos. O mote do ensaio são as ações históricas, políticas e sociais que estão na base e na origem da construção do Estado e nação de Angola, aqui, protagonizadas por intermédio de Agostinho Neto. Este homem, conhecido com os codinomes de Manguxi e Kilamba no decurso da revolução, presidente do MPLA, vencedor das negociações da independência com Portugal, potência administrante do território, em 1975, é o fundador e o pai do Estado e nação de Angola.</p> João Batista Gime Luís Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 16 30 O Patriotismo na poesia de Agostinho Neto (1922-1979) https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/824 <p><strong>Nsumunu: </strong>Kisalu akiki kike muna nzila m' fyongonono yi ndagukunu yi luzolo lu nkanda mayindu ma ntima wu sonukunu kwa António Agostinho Neto, muna kikuúku ki nsoniki wu mikanda mi luzolo lu nsi ntima ayi kube bweleso tu ntadila muna nkonzo yi nkwa kunatisa dikabu di lukuúku lu ntoto Ngola wu ba kangama muna ki nkole ki mindela ketika zi ewuropewu. Tu fyongonini maledi muna ki nkulu kiítu. Kube bweleso tu ntatamana kukota muna mi nkanda mi mayindu ma m'si ntima masónika Neto maledi muna ki nkulu ki yibu kwa mindele. Vayi mi nkanda mi Neto m'monisa kizyelomo kiku vanga masolo ma mpindu ayi mamoso ma m'vyoka muna misengi mi ntoto wutu butukila. Masonoko ma Neto ma nsudukulu muna zingolo ziku bakisa mayindu make muna nkonzo yi lunwanunu bwingi bukubakila nzila yi lukuúku.</p> <p>***</p> <p>O presente artigo traz uma reflexão em torno do patriotismo dentro da poesia de António Agostinho Neto, enquanto poeta e guia imortal da consciência libertadora do povo angolano perante o jugo colonial. A análise feita neste artigo procurou estabelecer uma associação do escrito ao concreto, sabendo que o uso da poesia por este poeta é uma estratégia de combate, daí essa poesia ser de combate. Procuramos, por outro, explorar nos textos do autor os aspetos relacionados com o patriotismo, identidade e a apropriação da cultura, que há muito tinha sido roubado pelos colonizadores europeus. Os textos de Neto apresentam uma característica profundamente dialogante com a sociedade. Os acontecimentos da época em que foram escritos são marcas deste intertexto: sociedade-texto e texto-sociedade. O diálogo que se estabelece nos textos de Agostinho Neto constitui-se numa força interna traduzida pelos ideais de luta para a liberdade.</p> <p> </p> <p> </p> <p> </p> Eduardo Mabiala Pola André Fernando Cula Bumba Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 31 47 الْكَلِمَات العَرَبِيَة الدّخِيلَة عَلَى اللُّغَة البُرْتُغَالِيَة فِي مُصْطَلَح عِلْم النَّبَات المَوْجُودَة فِي العَمَل الشِّعْرِي لِأَنْطُونْيُو أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو: رُمُوز القُطْن وَ الأَفْيُون https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/849 <p><strong> </strong><strong>وُلِدَتْ فِكْرَة المُشَارَكَة فِي هَذَا العَمَل، المُخَصَّص للِشَّاعِر أَنْطُونْيُو أَغُوسْتِينِيُو نِيتُو، مِنْ خِلاَلِ مُشَارَكَتِي فِي النَّدْوَة الَّتِي نَظَّمَتْهَا الجَامِعَة الدُّوَلِيَّة لِإِدْمَاجِ النَّاطِقِينَ بِاللُّغَة البُرْتُغَالِيَّة فِي العَالَمِ الإِفْرِيقِي وَالبْرَازِيلِي، وَ ذَلِكَ قَصْدَ إِحْيَاء ذِكْرَى حَيَاة وَأَعْمَال الدُّكْتُور أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو، الَّذِي يُعْتَبَرُ أَوَّل رَئِيس لِجُمْهُورِيَة أَنْغُولاَ، وَ قَدْ تَمَّ ذَلِكَ فِي يَوْم (17) السَّابِع عَشَرمِنْ سِبْتَمْبر2021، عَبْرَمِنَصَّة اليُوتُوبْ بِالِإنْتِرْنِتْ. </strong> </p> <p><strong>أَلْقَى المُحَاضَرَات كُلّ مِن الأُسْتاَذ البَاحِث نِيكُودِيمُوسْ بَاوْلُو بُونْغَا (صَحَفِيّ وَمُؤَرِّخ) ، و الأُسْتاَذة البَاحِثَة رِيجِينَا بِيرِيشْ دِي بْرِيتُو (بَاحِثَة فِي مَجَال اللِّسَانِيَاتْ) ، و الأُسْتاَذ البَاحِث أَبِيلاَرْدُو أَلْبِرْتُو سُونْيِي دُومِينْغُوشْ (كَاتِب وَ صَحَفِي) والأُسْتاَذ البَاحِث إِدْوَارْدُو نْكَانْغَا بِيدْرُو (أُسْتَاذ الأَدَبْ). نَظَّمَ المُحَاضَرَات كُلّ مِنَ الأُسْتاَذ البَاحِث أَلِشَنْدْر أَنْطُونِيُو تِمْبَانْ بِالجَامِعَة الدُّوَلِيَّة لِإِدْمَاجِ النَّاطِقِينَ بِاللُّغَة البُرْتُغَالِيَّة فِي العَالَمِ الإِفْرِيقِي وَالبْرَازِيلِي بَاهْيَا البْرَازِيل، و الأُسْتاَذ البَاحِث إِدْوَارْدُو دِيفِيدْ نْدُومْبِلِي بِالمَعْهَد العَالِي لِلْعُلُوم وَ التَّرْبِيَة لِمَدِينَة أُووِيج بِأَنْغُولاَ، بِدَعْمٍ مِنْ مَجَلَّة نْجِينْغَا وَ سِيبِي ، وَفِرْقَة الشَّبَابْ لِلْأَدَبْ مِنْ أُووِيج بِأنْغُولاَ. </strong></p> <p><strong>عُنْوَانُ بَحْثِي هُوَ: "<em>الْكَلِمَات العَرَبِيَة الدّخِيلَة عَلَى اللُّغَة البُرْتُغَالِيَة فِي مُصْطَلَح عِلْم النَّبَات المَوْجُودَة فِي العَمَل الشِّعْرِي لِأَنْطُونْيُو أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو: رُمُوز القُطْن وَالأَفْيُون </em>". الهَدَفُ مِنْ مُسَاهَمَتِي هُوَ إِظْهَار أَنَّ الكَلِمَات ذَات الأَصْل العَرَبِي مِثْل القُطْن وَ الأَفْيُون، مَوْجُودَة فِي النُّصُوص الشِّعْرِيَة للِشَّاعِر أَنْطُونْيُو أَغُوسْتِينِيُو نِيتُو، وَلَهَا رُمُوز مُحَدَّدَة لِلْغَايَة. فَكَلِمَة قُطْن هِيَ رَمْزٌ لِلْأمَل ، وَالحُبّ ، وَبَيَاضْ الثَّلْجْ ، وَبَيَاضْ السَّحَابْ ، وَالحُلْم ، وَالرَّغْبَة فِي بِنَاءِ مُسْتَقْبَل زَاهِر وَالمُتَمَنِّيَات النَّبِيلَة. وكَلِمَة أَفْيُون تَرْمُزُ إِلَى وَسِيلَة لِلْهُرُوب مِنَ المُعَانَاة وَالأَلَم وَجِرَاح الزَّمَن وَالوَاقِع المُعَاشْ.</strong></p> <p><strong>كَلِمَة أَفْيُون عِبَارَة عَنْ تَرْكِيبَة مِنْ عَصِير الخَشْخَاش الأَبْيَض المُسْتَخْرَج مِنْ زَهْرَة الخَشْخَاش، وَهُوَ إِسْمُ مُخْتَصّ بعِلْم النَّبَات المُشْتَق مِنَ اللُّغَة العَرَبِيَّة ، وَهُوَ مِنْ أَصْل فَارِسِيّ ، مُوَثَّقُ فِي قَامُوس الرَّافِد (2015). المَنْهَجِيَة المُتَّبَعَة تَمَّتْ مِنْ خِلاَل بَحْثٍ فِي مَقَال بِيدْرُو كَابِيتَانْغُو بِعُنْوَان "<em>عِلْم النَّبَات فِي العَمَل الشِّعْرِي لِأغُوسْتِينْيُو نِيتُو</em>" (2016)، وَالمَنْشُور فِي المَجَلَّة الإِلِكْتْرُونِيَة كُوغْنُوسيس، حَيْثُ وُجِدَتْ الكَلِمَات المُخْتَارَة مِنْ عِلْم النَّبَات فِي العَمَل الشِّعْرِي لِلشَّاعِر أَنْطُونِيُو أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو. وَ كَذَلِكَ بَحْثِي الَّذِي قُمْتُ بِهِ خِلاَل إِنْجَازأُطْرُوحَة الدُّكْتُورَاه بِعُنْوَانْ: "<em>مُقَارَبَة لِسَانِيَة لِلْكَلِمَات العَرَبِيَة الدّخِيلَة عَلَى اللُّغَة البُرْتُغَالِيَة فِي مُصْطَلَح عِلْم النَّبَات</em>" (2018)؛ وَ قَصِيدَتَان لِلشَّاعِر أَنْطُونِيُو أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو بِعُنْوَانْ: "<em>عَلَيْنَا أَنْ نَعُود</em>" وَ "<em>أَفْيُونْ</em>"، حَيْثُ تُوجَدُ الكَلِمَات العَرَبِيَة الدّخِيلَة عَلَى اللُّغَة البُرْتُغَالِيَة فِي مُصْطَلَح عِلْم النَّبَات القُطْن وَ الأَفْيُون. النَّتاَئِج: الكَلِمَات العَرَبِيَة الدّخِيلَة عَلَى اللُّغَة البُرْتُغَالِيَة فِي مُصْطَلَح عِلْم النَّبَات القُطْن وَ الأَفْيُون المَوْجُودَة فِي النُّصُوص الشِّعْرِيَة لِلشَّاعِر أَنْطُونِيُو أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو، لَهَا مَعْنى عَمِيق لِلْغَايَة، حَيْثُ يَرْمُزُ القُطْن إِلَى الأَمَل، وَحُبّ الأَرْض، وَحُبّ النَّاس، مِنْ أَجْلِ بِنَاء مُجْتَمَع يَسُودُ فِيه الحُبُّ وَ الوِآم، مُجْتَمَع العَدْل وَ الحُرِيَّة، مُجْتَمَع السِّلْم وَ التَّعَايُش، مِنْ أَجْلِ بِنَاء مُسْتَقْبَل زَاهِرأَبَدِي "إِلَى أَرَاضِينَا ...البَيْضَاءَ مِثْلَ القُطْنِ ...عَلَيْنَا أَنْ نَعُودْ". </strong></p> <p><strong>الأَفْيُون يَرْمُز إِلَى الأَلَم وَالمُعَانَاة وَالهُرُوب مِنَ الأَلَم وَ الأَسَى فَهُوَ يُعَدّ كَوَسِيلَة لِلْحُلْم وَتَحْقِيق الرَّغْبَة والمَطْلُوبْ! "<em>لِكَي أَنْسَى حُبِّي وَرَغَبَاتِي.. أَنَا أُدَخِّنُ الأَفْيُون</em>" ؛ "<em>أَنَا أُدَخِّنُ أَفْيُونِي، لِأحْلُم</em>". يُمْكِنُنَا أَنْ نَقُول إِنَّ شِعْرَ أَغُوسْتِينْيُو نِيتُو هُوَ تَعْبِير مَحْسُوس وَمُعَاش لِوَاقِع اجْتِمَاعِي، وَشَكْل مِنْ أَشْكَالِ الإِدَانَة الاجْتِمَاعِيَّة وَالمُطَالَبَة بِالحُرِيّة وَالمُسَاوَاة وَالعَدَالَة فِي أَنْغُولاَ وَالعَدَالَة فِي إِفْرِيقِيَا. </strong></p> <p><strong> *** </strong></p> <p>A ideia de participar neste trabalho, que está dedicado ao poeta António Agostinho Neto, nasceu da minha participação no seminário que estava organizado pela UNILAB (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira), das Comemorações da Vida e Obra do Doutor Agostinho Neto, primeiro presidente da República de Angola, no dia 17 de setembro de 2021, por meio virtual. As palestras foram proferidas pelo Professor Nicodemos Paulo Bunga (Jornalista e Historiador), Professora Regina Pires de Brito (Linguista e Pesquisadora), Professor Abelardo Alberto Sonhi Domingos (Escritor e Jornalista) e Professor Eduardo Nkanga Pedro (Professor de Literatura). As palestras foram organizadas pelo Professor Alexandre António Timbane (UNILAB Bahia, Brasil) e pelo Professor Eduardo David Ndombele (ISCED-Uige, Angola) com apoio da Revista Njinga &amp; Sepé e Brigada Jovem de Literatura de Uige, Angola. O título da minha pesquisa é: “<em>Os Arabismos da Botânica da Língua Portuguesa na obra poética de António Agostinho Neto: </em><em>simbologia de </em><em>Algodão e Ópio (Anfião)</em><em>”</em>. O Objetivo da minha contribuição é de mostrar que as palavras de origem árabe como Algodão e Ópio (Anfião) existem nos textos poéticos do poeta António Agostinho Neto, e têm uma simbologia muito específica. A palavra ‘algodão’ tem como símbolo da esperança, amor, brancura da neve, bracura da nuvem, sonho, desejo...e a palavra ‘Ópio’ (Anfião) tem como símbolo um meio de fuga, fugir do sofrimento, da dor, das feridas do tempo e da realidade vivida. A palavra ‘Ópio’ é o nome vulgar de <strong> Anfião,</strong> que é o nome do arabismo da Botânica que vem da Língua Árabe <em>?afiūn </em><strong><em>أَفْيُون</em></strong>, que é de origem persa, atestado no Dicionário Árabe <em>Ar-rafid </em><strong><em>الرَّافِد</em></strong> (2015). A Metodologia seguida é feita através da pesquisa no artigo de Pedro Capitango<a href="https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/workflow/index/849/5#publication/#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>, intitulado “<em>A Botânica na obra poética de </em><em>Agostinho Neto</em>” (2016), que está publicado na Revista electrónica Cognosis (ISSN: 2588-0578), onde encontrei as palavras escolhidas da Botânica, encontradas na obra poética do poeta António Agostinho Neto. A minha Tese de doutoramento, intitulada: “<em>Os Arabismos da Botânica na Língua Portuguesa: Abordagem Linguística</em>” (2018); Os dois poemas do poeta António Agostinho Neto intitulados: “<em>Havemos de voltar</em>”<a href="https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/workflow/index/849/5#publication/#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> e “<em>Ópio</em>”, onde existem as palavras dos arabismos da Botânica Algodão e Ópio (Anfião). Os Resultados: As palavras dos arabismos da Botânica na Língua Portuguesa Algodão e Ópio (Anfião), existentes nos textos poéticos do poeta António Agostinho Neto têm um sentido muito profundo, Algodão simbliza esperança, amor pela terra, pelo povo, pela nação, um amor eterno “<em>Às nossas terras...brancas de algodão... havemos de voltar</em>”. Ópio simbliza a dor, o sofrimento, fugir do sofrimento, sonho, desejo, desejado! “<em>Para a esquecer, e olvidar meus amores,..fumo ópio</em>”; “<em>Fumo o meu ópio, para sonhar</em>”. Podemos dizer que a poesia de Agostinho Neto é uma expressão sentida e vivida duma realidade social, uma forma de denúncia social e de revendicação pela Liberdade, Igualdade, Justiça em Angola, e Justiça em África. <a href="https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/workflow/index/849/5#publication/#_ftnref1" name="_ftn1"></a></p> <p> </p> Nadia Tadlaoui Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 48 64 Os problemas da Filosofia de libertação em África, no contexto da descolonização angolana: um contributo de Dr. António Agostinho Neto https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/825 <p>O presente artigo visa apresentar o contributo do Dr. António Agostinho Neto, na descolonização da África, especialmente de Angola. O trabalho é de natureza político-filosófica. Durante a nossa leitura e reflexão, dividiremos em dois momentos: Na primeira parte apresentaremos, de forma sintética, a vida e obra; na segunda parte, apresentaremos as reflexões, a linha de pensamento, sobretudo, através dos discursos históricos, proferidos nalgumas universidades africanas, antes da independência, especialmente na Nigéria e Tanzânia. Como a Filosofia da libertação, é uma corrente da filosofia africana, que teve um papel preponderante na descolonização de muitos países africanos, algumas ideias desta linha de pensamento filosófico, são notórias em alguns momentos dos discursos epistemológicos do primeiro presidente de Angola, em academias, partindo de uma visão endógena.</p> <p>***</p> <p>Cet article vise à présenter la contribution du Dr António Agostinho Neto, dans la décolonisation de l'Afrique, en particulier de l'Angola. L'œuvre est de nature politico-philosophique. Au cours de notre lecture et de notre réflexion, nous la diviserons en deux moments : Dans la première partie, nous présenterons, de manière synthétique, la vie et l'œuvre ; dans la deuxième partie, nous présenterons les réflexions, la ligne de pensée, surtout, à travers les discours historiques, prononcés dans certaines universités africaines, avant les indépendances, notamment au Nigeria et en Tanzanie. Comme la Philosophie de la Libération, c'est un courant de la philosophie africaine, qui a joué un rôle prépondérant dans la décolonisation de nombreux pays africains, certaines idées de cette ligne de pensée philosophique sont notables par moments dans les discours épistémologiques du premier président de l'Angola, dans les académies, en partant d'une vision endogène.</p> Bonifácio António Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 65 77 Análise do papel da mulher na poesia de Agostinho Neto (1922-1979) à luz de teorias psicanalíticas https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/856 <p>Neste artigo, pretendo tratar a problemática da presença da figura da mãe, em geral, e da Mãe África, em particular, na poesia de Agostinho Neto. Quanto à metodologia utilizada, esta pesquisa se baseou na análise da obra <em>Trilogia Poética: Sagrada esperança, Renúncia Impossível, Amanhecer</em>, Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2009 da autoria de Agostinho Neto, à luz de teorias psicanalíticas respeitantes à relação com o progenitor, nomeadamente o complexo de Édipo. A análise permitiu perceber uma relação muito próxima do sujeito poético com a mãe, metáfora de um continente violado por um pai-outro, o colono. É ao filho, sujeito poético, que cabe a função de salvar a mãe e substituir o pai na liderança da nação. Da pesquisa se conclui que a Grande Mãe África foi libertada pelos seus filhos, heróis e sábios, como António Agostinho Neto tão bem cantou na sua poesia, onde encontramos toda a complexidade da relação mãe/filho, da relação do homem com a terra, da relação do homem com o seu passado, da relação do poeta com o seu legado, da relação do homem com a sua história e com as expectativas e responsabilidades que recaem sobre ele.</p> <p>***</p> <p>In this article, I intend to deal with the issue of the presence of the mother figure, in general, and Mother Africa, in particular, in the poetry of Agostinho Neto. As for the methodology used, this research was based on the analysis of the book Poetic Trilogy: Sagrada Esperança, Renunciation Impossível, Dawning, Luanda: União dos Escritores Angolanos, 2009 by Agostinho Neto, in the light of psychoanalytic theories concerning the relationship with the parent, namely the Oedipus complex. The analysis allowed us to perceive a very close relationship between the poetic subject and the mother, a metaphor for a continent violated by a father-other, the colonist. It is the son, a poetic subject, who is responsible for saving the mother and replacing the father in the leadership of the nation. From the research it is concluded that the Great Mother Africa was freed by her children, heroes and sages, as António Agostinho Neto sang so well in his poetry, where we find all the complexity of the mother/son relationship, of the relationship between man and the earth, of the man's relationship with his past, the poet's relationship with his legacy, man's relationship with his history and with the expectations and responsibilities that fall on him.</p> Fátima Sampaio Fernandes Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 78 92 Utébulua monho mu ci sávu ci “Monangamba” ci António Jacinto ai “Ufúa mbabu” ku Agostinho Neto https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/819 <p>Yndulua muna tébulua monho mu ci sávu ci “<strong>Monangamba</strong>” ci António Jacinto ai “<strong>Ufúa</strong> <strong>mbabu</strong>” ku Agostinho Neto, ci tuvanga ufiongonéna mu bánzimina munzila ymueka, mayndu muali ma sónama mulibungu, limónisia luzabu lu n’toto Ngola, muna umónisia n’cinzi kele musávu, bunji utuunga ulunzi bi basi n’tóto Bafiote “África”, makongo basi Ngola. N’cinzi bene ubanzimina voti yndulua mambu bene, uviokila muna nzila yfundubula, ukoonga masónama, buingi tubándulua masuama muna “Monangamba” ma António Jacinto ay “Renúncia impossível” basónika kuke Agostinho Neto, bucielika batumónisa ma ngolu, cintémo ai n’vingu umónikia muna maanga usálu bibúndulwa bumuntu (mambu matiuka maba tovuluanga bafiote), ntangu bene ynani, kati buvika/ bunkóle. Ulimbu (mavanga bene omo), bikilianga kuandi: usálu (bisálu) bingólo, kukándimina bantu muna utuba zimbeembu ziau zi buala, m’zíngulu yviakana muna ybuundu cibantu, tutanga tuleembo ai manká dédikuandi buna tudenguele muna usávu bene, bisónemena mumphila iviakana, kaza mi tulonga liambu kuandi limueka toka, landa lukuku (lukáku lubantu), ukutulua bakángama. Buau, bubuaci, mau mame balukua mambu mayundulua ai tufuene ulóngukua. Ybila mabakizi bulubulwila banka, kambu ukeba Nsi ykele muyvíka, buingi ka tebukua monho, ka tulubuka kutólo, kakutukua mu nsinga ay zimpasi zilutúmu lukambu fuana muna nsi. Tuzabizi ti bawombo banuanina lukuku lunsi, bubuaci kambu ukeba ba macitukua utuanguende. Ibila zinzengolo zinkanu zina bisalila ba nanga voti bakuluntu bansi, tangovo, zisafuanangana ko muna vana zinhenzi ai mambote ke basi buala bonso. Ysálu ci masónama muna n’konga bantu vana ntónono, li yndu bene libakuandi muna mangúmba (nkonga zibantu) bana baloza voti bavéngulua tibakulua muna masónami bene ama, mavene mangolo ke bana bitanga ai batanga mau, bau bibuela kumayndulua buna bufuene.</p> <p>***</p> <p>O estudo, conscientização na poesia “Monangamba” de António Jacinto e “Renúncia impossível” de Agostinho Neto, pretende analisar comparativamente dois textos poéticos, considerados Clássicos da Literatura Angolana, que demonstram o papel da poesia para a conscientização do africano subjugado, em particular do angolano. É um estudo qualitativo que recorre ao método análise textual para explorar os textos “Monangamba” de António Jacinto e “Renúncia impossível” de Agostinho Neto, que, no essencial, demonstra(ra)m marcas que cria(ria)m um sentimento de revolta contra as práticas desumanas, em particular as da colonização. Esses sinais, como o trabalho forçado, a proibição do uso de línguas locais, as desigualdades sociais e outras práticas destacadas nos poemas, que foram escritos sob ângulos diferentes, mas com fim igual, desperta(ra)m o oprimido e, hoje, constituem matéria de reflexão e de estudos, uma vez que podem despertar novamente um povo que se sinta dominado pelas políticas de quem um dia lutou contra a opressão, pois que as políticas sociais adotadas pelos governos, em muitos casos, não proporcionam direitos e condições dignas de vida. Esse papel social da literatura que, desde cedo, esteve presente para os grupos marginalizados é visto nestes textos, tendo em conta as marcas de expressão literária bastante fortes que motiva(ra)m a reflexão do(s) leitor(es).</p> Abel Vidente Luemba António Carvalho da Silva Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 93 103 Olondaka vy'olonjimbalwe vya António Agostinho Neto v'eleto yo vyaneke https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/837 <p>upange owo usupuka k’okutaliliya l’utate olondaka vya Neto, vina vilitokeka k’ovina viya.Okutaliliya okwo kusukiliwa, omo Agostinho Neto kaletiwe ño ndo ku kala feti-feti y’Ongola, uluhimo l’wasupuka k’upange eye akwata k’uyaki la cikolonya kaputu kwenda k’okukala ombyali yatete y’Ongola, pole ndo ku kala usonehi w’ovyaneke, omo ovisonehua vyaye vikwete eleto y’ovyaneke, omo eye onena v’ataliliyo aye esanju lisupuka k’elyanjo/k’eyovo. Ndoco, c’esilivilo okuvangula k’omwenyo wa Neto, amoko ño omo ly’okukala usonehi onena olonjimbalwe vyafina visanjwisa vana vatanha isonehwa vyaye, pole l’onjila yimwe yalitepa, okunena Neto kwenda olonjimbalwe vyaye nd’onjila yiwa y’okuliyaka l’ukwakutalisa ohali, cikolonya kaputu.</p> <p>*** </p> <p>O presente artigo resulta de uma análise criteriosa do discurso netiano atinente à sua perspectiva futurista. Faz-se necessária essa abordagem, pois Agostinho Neto é visto, não só como Fundador da Nação Angolana, facto conquistado pelo seu empenho na luta contra o colonialismo português e por ter sido o primeiro presidente de Angola, mas também como poeta-profeta porquanto os seus textos emanam uma visão futurista na medida em que trazem um olhar atento a tão ansiada liberdade/independência. Assim, é de capital importância não falarmos simplesmente de Neto como um “mero escritor” que traz belos poemas para embalar a alma dos leitores, mas, de alguma maneira mais expressiva, trazer Neto e a sua poética como uma forma <em>viável</em> para combater o opressor, o colonialista português.</p> Generoso Filipe Chapuia Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 104 114 Negritude, nação e retratos da mãe áfrica em poemas de Noémia de Sousa e Agostinho Neto https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/832 <p>A reflexão sobre a África, configurada como mãe e terra, foi um resgate promovido pelo Pan-africanismo, no final do século XIX e início do século XX. Esse resgate foi consolidado pelos movimentos culturais a que ele deu origem (Renascimento Negro norte-americano, Indigenismo haitiano, Negrismo cubano e Negritude francófona), transformando a Mãe-África em uma das principais recorrências temáticas presentes nas literaturas africanas e afro-americanas. Nas literaturas africanas de língua portuguesa essa recorrência temática manifesta-se no período de reação anticolonial ao governo português o qual é marcado pela rememoração das raízes identitárias e de uma poética de evocação e exaltação à Mãe-África, que busca ressignificar as raízes africanas encobertas pelos séculos de assimilação cultural. Desse modo, esse artigo tem como intuito analisar a manifestação da Mãe-África e da negritude em poemas de Noemia de Sousa e Agostinho Neto, com base nas teorias da narratologia de Gonzaga Motta e dos gêneros discursivos e polifonia de Bakthin.</p> <p>*** </p> <p>La reflexión sobre África, configurada como madre y tierra, fue un rescate promovido por el panafricanismo, a finales del siglo XIX y principios del XX. Este rescate fue consolidado por los movimientos culturales que dio origen (Renacimiento Negro Americano, Indigenismo Haitiano, Negrismo Cubano y Negritud Francófona), transformando a la Madre África en una de las principales recurrencias temáticas presentes en las literaturas africana y afroamericana. En las literaturas africanas de habla portuguesa, esta recurrencia temática se manifiesta en el período de reacción anticolonial al gobierno portugués, que está marcado por el recuerdo de las raíces identitarias y una poética de evocación y exaltación de la Madre-África, que busca resignificar las raíces africanas cubiertas por siglos de asimilación cultural. Así, este artículo tiene como objetivo analizar la manifestación de la Madre África y el nacionalismo en los poemas de Noémia de Sousa y Agostinho Neto, basados ​​en las teorías de la narratología de Gonzaga Motta y los géneros discursivos y la polifonía de Bakthin.</p> Camila Bastos Lopes da Silva Jaqueline Miran Muniz Bandeira José Guilherme de Oliveira Castro Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 115 132 Kutalesa kwa Bachelardiano a Kuzemba kwa Agostinho Neto https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/822 <p>Kakibandu Kaká kazanbula ykexilu wa poética ya Goston Bachelard misoso Kuzemba kwa Agostinho Neto. Mukiki, mukumbangela kwila wa kwihula kwa ixinganeku, mukexulu wa kixinganeku, twazwelesa ibuka ya ukexilu umoxi ni ixinganeku ya jisabalu muhadya kwita "kwijunganeku ya menya a udinda" a Bechelard mu misoso ya Agostinho Neto, mukukukolesa no DSM, mukutetuluka kyambote ubangelu wa athu. Uzambwilu walungu ni mikanda itens kuzambula kikalskalu kya Neto kyalungu no kutalesa kwengi. </p> <p>*** </p> <p>O presente artigo visa analisar à luz da poética de Gaston Bachelard o conto<em> Náusea</em> de Agostinho Neto. Com efeito, em se tratando duma abordagem psicocrítica, no plano teórico, colocaremos em diálogo campos categoriais como a psicologia e a literatura, para, posteriormente, aplicar a ‘‘Psicologia das águas violentas’’ de Gaston Bachelard ao conto de Agostinho Neto, reforçando com DSM, para melhor compreensão das atitudes dos personagens. Trata-se duma pesquisa de carácter bibliográfico que procura analisar a produção de Neto sob um novo viés.</p> Hélder Simbad Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 133 148 Écriture représentative de l ‘héroïne «Tahoser» dans Le roman de la momie de Théophile Gautier https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/806 <p>Héroïne, Tahoser est une femme charmante. Mystique, elle est aussi nantie d’un pouvoir sacré, elle est capable d’anéantir la jalousie de sa rivale Ra’ Hel et d’affaiblir la puissance du Pharaon son amant. Gautier rend ses instants à travers une écriture descriptive au service de la beauté et du merveilleux. Pour cela, il emploie des adjectifs épithètes et met en scène un jeu de comparaison pour célébrer les qualités et le caractère sacré de l’héroïne. Lorsque Gautier écrit <em>Le roman de la</em> <em>momie,</em> il n’a pas encore été en Egypte, il se sert, des histoires que lui racontait Ernest Feydeau, pèlerin dans le pays des califes. Le narrateur emprunte une histoire biblique de Hérode, pour ressusciter l’Egypte ancienne. Notre objectif est d’analyser l’écriture de Gautier dans la peinture du personnage Tahoser, comme l’aurait écrit Clément Vincent : «Les descriptions…. De Théophile Gautier sont souvent proches de la réalité… » (La perception romantique de la Castille à travers le récit de voyage de Théophile Gautier », p. 359-366.) Notre analyse viendra s’appuyer sur <em>La poétique</em>. Le livre de David Fontaine, (Nathan, 1993), nous a Toutefois adopter cette étude à l’analyse que nous entreprenons, semble justifiable par le fait que l’époque romantique, inaugure une transformation radicale sur le roman. En adoptant comme point de départ l’affirmation : comment Gautier traduit le personnage Tahoser, nous sommes arrivés à la conclusion selon laquelle, l’écriture proposée par l’écrivain, traduit à merveille l’héroïsme de Tahoser ; Gautier confirme le réalisme de son écriture.</p> <p>***</p> <p>Molongui Tahoso, azali mwasi kitoko pe mystiqui azali pe na kokoka motuya pe mbotama. Na okoka yanguo a koki ko kitissa nzuya ya mbanda nay é Ra’Eh e mbonguo lokola, bwagna lya Pharao, mobali nayié. Gautier nakati lia buku na yié, a zali ko lakissa ndengué ya kitoko oyo Tahoso azali mwasi ésuéguélé na yango yié akokissi ba adjectifo épythèto assanguisi yongo na ba comparaiso, nionso pona kolakissa kitoko ya molongui, mokonzi ya mwassi oyo na liwa lia Pharao a kokitana na bokondzi. Tango Gautier azali ko koma buku lia ye nani ayeguéli na Egypto té. Yié azui ndakissa na massolo ya ndéko Ernesto Feydeau oyo awuti na mboka yiango. mpé lokola adéfi malako ya bibilia buku ya Hérodia, malako ya Egypto. Tina ya likambo ezali kolakissa ndengué Gautier ako talissa na bo solo, Tahoser, ndendué Clemen Vncent aloba: “ bekoméli ya Gautier… ézali pémbeni ya bossolo « La perception romantique de la Castille, à travers le récit de voyage de Théophile Gautier » (Nathan, 1993.) To kokamata mateya na buku liana mpo yango éssenguéli. Na ébandéli bisso to lobi été to ko lakissa ndengué Gautier azali ko monissa Tahosero, me to kanissi été tolakissi na bossolo nianso ndengué Gautier azali kolakissa nab é koméli ya yié. </p> Didier Judes Ondouo Augustin Nombo Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 148 163 Omau kwa tya nghalondjokonona yovakwanghala vomo Angola – ova !kung (!xung) novakedi vo mokunene https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/857 <p><strong>Oshikwanyama/Shaxupipika/exupipiko:</strong> Oshixupipikwa Omushangwa ou ouna e tomeno loku nongononna oma u kwa tya oukali-noopandjokonona yongudu muhoko wOvaKun nOwedi vomo Kunene (Angola) oludi lOvakwanghala (Ovakoisan), esho osho oshifilwa shisho shetu, tu konakone omau kwa tyandjokona nomifyuululwakalo doludi eli moku shipununa kwa keshe efiku. Oshikalemo pulo osho nee eshi: Onhelemutumba pandjokononamishangwa dAfillika nOunyuni otai hangwa peni? Enengenekofaneko 1: nonande Ovakung nOvakwedi ovo “oludi ta li ifanwa li heshi lihapu”, ovo oshidimbulukifo kovanhu aveshe, osheshi eli va ninga eshi ovandjokononi vAfilika há vai fana etindi lonakudiwa yAflika – ovakalimo votete vAflika, naunene, mousnyuni, aushe, ofimbo va talelwa komashongo manene oku hanaukapo kwo mau kwa tya oukali noondjokonona yavo (ounhu wavo nomifyuululakalo); Enengenekofaneko 2: Omaulikofaneko ovahongi ounyuni (omafano noihongwa mamanya) oya kala ya ningwa kolunhu va vo vonhale, mongaha, oindulukwa yavo va fiyapo oyo oiholelwa yafimana kombinga yeuliko lasho shali oku kala kwavo, omaupuna avo, eshiivo noku tengenekayo eitavelo lavo nolounyuni, aushe. Ovakung novakwedi, oku dilila moukali-ndjokonona yavo tashi shiiva oku yandja enyamukulo kwi hapu yapamba efimbo lapita lovanhu. Momafiku onena omau kwa tya ondjokonona nomifyuululwakalo davo ota di dulu oku yambidida kexumokomesho loukali, lomaliko, mwa kwatelwa omatalelelpo omifyuululwakalo dAflika lwokolukadi. Eongelo loukwashili woku dutapo omushangwa ou o wakwashipalekwa komapupi avali: ekonakono lomambo nokupula ovaneneenhu voludi lOvakung vena ounongo nondjokonona yatambulafanwa okanya nokanya, sha ningilwa monhele yoku kwavo! Ovakung nOvakwadi mOshimolo, mOkunene (Angola). Oshikalemo oshakonakonwa “noukwatya ndjokonona” , mwasho ta shi pitike u konakone nawa kesho odjo ove u konge ounene welinekelo moshilo sho she twa po.</p> <p>***</p> <p>Em Angola existem 3 grupos populacionais quanto à origem: povos bantu, khoisan e vatwa. Esta pesquisa estuda aspectos sócio-históricos do grupo étnico !Kun de Angola pertencente ao grupo khoisan. Pretende-se analisar o histórico e a cultura desta etnia numa perspectiva diacrónica. Qual é o lugar&nbsp; dos povos !Kung na historiografia africana e universal? Os !Kung&nbsp; são “etnias menorizadas”, e são relíquia para a humanidade, porque constituem o fundo primitivo de África (os primeiros habitantes de África, do planeta terra) e que correm&nbsp; o risco de extinção ou apagamento das suas raízes históricas e antropológicos. Os !Kung podem responder à várias questões sobre o passado do homem no planeta terra. Este é um estudo bibliográfico e de campo com uso de entrevistas como instrumentos de coleta. As entrevistas foram realizadas com personalidades da etnia !Kung portadora da história oral, realizado ao habitat da comunidade !Kung em Oshimolo, Província do Cunene (Angola). O conteúdo foi submetido ao “método histórico” uma vez que permite examinar cuidadosamente cada uma das fontes disponíveis e procura determinar o grau de fiabilidade e veracidade da informação. Da pesquisa se conclui o povo !kung de Angola merece toda a nossa atenção por ser um povo que preserva traços socio-históricos e linguísticos da ancestralidade africana. As representações artísticas da humanidade (pinturas e gravuras rupestres) foram produzidas pelos seus ancestrais, deste modo, seus vestígios constituem valiosas fontes de informação sobre a sua sociedade, economia, tecnologia e provavelmente religião e da humanidade, em geral.</p> Leonardo Tuyenikumwe Pedro Paulino Luís Mussili Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 164 188 Gestu ci ni ñuy woowe nit ñi ci yenn gox yi, bu ñu sukkandikoo ci kàllama yu mel ni mànkaañ, wolof, séeréer ak soose https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/833 <p><strong>Ci gàttal: </strong>Gestu bi mu ngi màcc jëm ci ni ñuy wowee ñi dëkk ci ab gox. Suma sukandikoo ci lima xam ci español, mooy ni bu ñu bëggee wax fi nit ki bokk ci turu dëkkam lañu koy jëlee, dama leen a bëgga wax nan lañu koy defee ci yeneeni làkk, won leen tamit baxam ci làkk yooyu am na ci ñu koy waxee lu méngoo ak ni ko español di waxee wala déet. Looloo tax, gestu bi ñu def ko ci ñenti làkk yu Senegaal: mànkaañ, wolof, séeréer siin ak soose. Bi ñu càmbaree melokaanu làkk yii daldi leen méngale, danu gis ni danuy faral di tënk kàddu yi bu nu bëggee wax fi nit ki bokk, te loolu amul ci español. Bu dee mànkaañ, dafa am kàddu bu njëkk bu nuy yokk ci ni nu koy waxee. Bu dee wolof ak seereer siin, benn kàddu bi danu koy wax ñaari yoon. Bu dee soose, dafa am lu nuy soppi ci waxin wi. Waayee, nu wone tamit ni ni ko español di waxe bari na, man naa ni de yokk ci turu dëkk bi, walla<em> hijo de </em>yokku ci turu dëkk bi<em>, </em>muy tekki ci español dëkk ca. Naam làkk bu ci ne am na loo xam ni moom rekk a ko am (ci misaal làkk bu mel ni soose day jël turu dëkk bi yokk ci <em>de</em>), bu ñu xoole lepp, man nañu ni làkk yii nu def sunu gëstu bi am na luñu niróok español, ndax fi nit ki bokk man nañ ko wax ci ñaari waxin yu bokkul: man na nu tënk kàddu yi wax ko, waaye tamit man nanu càmbar kàddu wax ko.</p> <p>***</p> <p>El presenta estudio versa sobre el gentilicio, es decir, el nombre que reciben los habitantes de una localidad. Partiendo de lo que sabemos en español, a saber que el origen de la persona se expresa mediante la derivación a partir del topónimo o por medio de la construcción <em>de + topónimo, </em>nos hemos propuesto dar cuenta de las formas que se emplean en otras lenguas y señalar cuáles coinciden con las españolas y cuáles no. Para ello, hemos centrado nuestra atención en cuatro lenguas de Senegal: el mancañá, el wolof, el seereer siin y el mandinga. El análisis formal y comparado llevado a cabo permite destacar diversos mecanismos sintéticos para formar el gentilicio, que se desconocen en español. Se trata de la derivación por prefijación (en mancañá), la reduplicación (en wolof y en seereer siin), la alternancia consonántica (en seereer siin). También cabe apuntar distintas formas analíticas como la de <em>de + topónimo, </em>que sí se emplea en español y la de <em>hijo de + topónimo, </em>correspondiente a la construcción española <em>natural de</em>. A pesar de las particularidades aludidas (además de la construcción <em>topónimo + de </em>propia del mandinga y debida a su estructura <em>SOV</em>), de manera general, las lenguas estudiadas coinciden con el español, pues construyen el gentilicio de dos formas principalmente: de forma sintética y de forma analítica. </p> Gustave Voltaire Dioussé Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 189 200 Kolokason di purtuguis suma uniku lingua di sina ku aprendi na Guiné-Bissau: kaminhu di djunta guinensis ô di manti prujetu di kolon? https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/858 <p>Es piskiza papia di uzu di lingua purtuguis suma uniku lingua di sina ku aprendi kel na skola na teras ku kolonizadu pa Purtugal, Guiné-Bissau mati tambi nes mandjuandadi. I um conbersa ku tarda, i kunsa na kabantada di luta di libertason nasional di kil teras, ma nes ultimus anus, i sta na tisi manga di conbersa ku pui utrus na toma puzison diferenti di utrus. Amílcar Cabral ku Paulo Freire i djintis ku djubi es asuntu diritu, e papia del tchiu na ladu di Guiné-Bissau, kila ku pui nes tarbadju i djuntadu se falas. Suma ku no pudi odja, pa Amílcar Cabral, lingua purtuguis i um simplis manera di kombersa entri pekaduris na se mandjuandadi. Mas pa manera di odja di Paulo Freire, tene purtuguis suma uniku lingua di sina kel ku aprendi na skola ta bai kaba son pa tudji tarbadju di diskolonizason ianda diritu. Es asuntu sta na djubidu ku udjus di sociologia, pa kila, i tisidu manga di n’tindimentus ku rakadadu na librus kuta tustumunha storia di kil ku papiadu del sobri es purbulema di kudji purtuguis suma uniku lingua pa sina kel na skolas. Tambi i tisidu luta ku kritika ku fasidu diante des purbulema kuta lebanu pa djubi keku skolia tisi pa prucesu di sina ku aprendi na skolas di Guiné-Bissau. Nes sintidu, i djubidu conbersa di Cabral kudi Freire na ke kuta toka ku lingua ku mas sta diritu pa sina kel na Guiné-Bissau. Es piskiza i di tipu kualitativu, nunde ki uzadu librus, artigus ku disertasons. Purbulema djubidu i odjadu di kuma mididas ku tomadu pa pulitikus ku djintis kuta tarbadja na edukasson di pui purtuguis suma uniku lingua di tarbadju tambi di sina i aprendi kel i bin di kolon i ku tene falta di opinion di manga di djintis. Tambi i falta bom conbersa kuna pudi djubi condison i us di tera i libra di pensamento di kolon na ora di toma disizon. Kaba mas putuguis kata papiadu pa maga di guinensis, djuntadu ku alunus.</p> <p>*** </p> <p>A pesquisa discute o uso do português como a única língua de ensino-aprendizagem nos países africanos marcados pela colonização portuguesa, em particular Guiné-Bissau, debate que remonta ao período final da luta de libertação nacional dos referidos países e tem sido foco de muitos debates e controvérsias nas últimas décadas. Para tanto, dialoga-se com Amílcar Cabral, para quem a língua era uma mera ferramenta de comunicação entre seres humanos, e com Paulo Freire, que entende que a manutenção do português como a língua exclusiva de alfabetização seria um obstáculo para a descolonização das mentes. Pretende-se empreender uma análise sociológica acurada das concepções e referências que historicamente fundamentaram a implementação do português como a única língua de alfabetização na Guiné-Bissau, bem como as resistências e críticas a isso, considerando as suas implicações no processo de ensino-aprendizagem. Assim, estabelece-se um diálogo entre as perspectivas Cabralista e Freiriana no que tange à questão da língua mais apropriada e eficaz para a alfabetização no contexto guineense. Trata-se, portanto, de uma pesquisa qualitativa de caráter bibliográfico. As reflexões já empreendidas permitem inferir que as medidas tomadas por líderes políticos e atores que atuam no domínio da educação foram bastante influenciadas pelo sistema colonial. Portanto, a implementação do português como a única língua oficial e de ensino-aprendizagem no país, além de não contemplar boa parte da população, especialmente os alunos, também parece não ser resultado de uma discussão endógeno-democrática e contra-hegemônica que permita respeitar as diversidades culturas e sociolinguísticas de que o país dispõe.</p> Braima Sadjo Eduardo Gomes Machado Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 201 224 Ensino bilíngue e escrita da língua portuguesa em Moçambique https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/827 <p><strong>Matapulelo: </strong>Masunziyo a Echuwabo eswa Moçambique. Masaka mendjene malogelo a ezugu aikana owaddela malogelo aba tharo zetezene za masunzi. Oroma wa masunzo a Echuwabo na ezugo a thiya maloguelo a ekafiri a Moçambique aikala maloguelo a masunziyo M'maxikola mum m'padduwa massunzo a Echuwabo vina munopadduwa masunzo a ezugo enkosiya wi aima ainlogoa ezugu anosunza alogaga maloguelo a obaliwana. Attu ena anokodda massunzo a ekafiri, na vina anamasunziya ena na ababi anowova wi aima kanaakabe oziwelamo onligana na ansunza ezugu, na vina enowalibiya ababi ena aburuchagawo anawa mwa masunzo a Echuwabo para ezugu. Nonaga makalelo aba ni ubuwela oveda ononelamo na malago zai (i) opima oleba na ezugu wa anamasunza a Echuwabo, (ii) wangana akala ookala ottaganyiyeya wa Echuwabo na malebelo a ezugu, (iii) opima malebelo a anasikola a Echuwabo na ezugu. Na ttagi ya waddeliwa okosiwe na anasikola a ezugo na ena a ekafiri eifanyela wonelamo anasikola a Echuwabo na vina a ezugu awoniya malebelo a deretu a ezugu; kaiyoneylevo ottaganyiyeya mwa malebelo a ezugu anamasunza a Echuwabo na vina malebelo a anamasunza Echuwabo ali midhidha zimozazene na anamasunza ezugu.</p> <p>*** </p> <p>Bilingual education is still recent in Mozambique. For a long time, the Portuguese language had a monopoly of use as a teaching medium in all classes and levels of education. The introduction of bilingual education allowed some Mozambican languages ​​to be used as a teaching medium. In schools where bilingual education takes place, there is also monolingual teaching, which means that children who do not speak Portuguese learn using their mother tongue. Some people are skeptical about bilingual education, including some teachers and parents of students who fear that their children will not have the same education as children in monolingual education, which causes some parents to withdraw their children from bilingual education to monolingual education. Taking into account this situation, we decided to carry out this research, which aimed to (i) analyze the Portuguese language writing of bilingual education students, (ii) verify if there is interference of the Echuwabo language in the Portuguese language writing and, (iii) compare the writing of students in bilingual education with that of monolingual education. Through the dictation made with students of monolingual education and with students of bilingual education, it was possible to verify that both the students of bilingual education and monolingual education had good writing in Portuguese; there was no interference of the Echuawo language in the texts of students in bilingual education and the writing of students in bilingual education is at the same level as the writing of students in monolingual education.</p> <p> </p> Rajabo Alfredo M. Abdula Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 225 242 Susunho ro musoro wo chitarwa https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/838 <p>Chitarwa ichi chinochinangwa chokubhuya makwandza o zvokutorerwana ko masintagina akavengerwa o mazina mu Ciwutee (S13 pakupima kakayita Guthrie 1967- 71). Fundo iri rinokwarakwatisa, kamarekamare mukuzwirana ngo kureketa ngo muromo no mukutara ngokuti mumaririmi o bantu, pakuda kutsvaka kubara kutorerana ko masitagima akavengerwa, nguwa imweni ngo kusama kutorerana mumindanda (Güldemann (2003), Langa (2009). Kanawo maririmi akasiyanasiyana echitonga ndawa iyi zvakasiyanasiyana, fundo iri rinoda kuziya makwandza anotorwa pakutonga ndawa iyi mu Ciwutee, se makwandza akasiyanasiyana mumaririmi o bantu. Kundze ko mabhuku akakosha akawanda akayerengwa, Chitaro ichi chinoyizwa ngo makwandza o masoko ari mumabhuku akayerengwa, ruziyo rwo mukwarakwatisi, kanawo no mibvundzo. Awona anonyasa kuziyisisa makwandza ese anoseendzeswa mukutonga ndawa iyi yokutama kutorerana ko matimbu o mindanda mu Ciwutee, tikada kuyerenga gwandza ro kuphindurwa ko magama anorura sintagima, gwandza rinonyanya zusendzeswa, se mareketere a Langa (2009) no zvimweniwo zvakaringana no mukureketa (zvinorarama [+ umunhu], [-umunhu], dondzo ro bhuyo), izvona zvinoyitawo basa rakakosha mufundo iri.</p> <p>***</p> <p>Este artigo tem como objectivo discutir as estratégias de concordância de sintagmas nominais (SN’s) complexos em Ciwutee (S13 na classificação de Guthrie 1967- 71). O estudo aborda este problema, principalmente na comunicação oral escrita porque nas línguas bantu, a tentativa de estabelecer uma relação de concordância com um SN complexo geralmente resulta no que se considera como sendo conflito de género (Güldemann (2003), Langa (2009). Apesar de as diferentes línguas resolverem o conflito de género de diferentes maneiras, este estudo pretende conhecer as estratégias de resolução deste problema em Ciwutee como uma propriedade paramétrica em muitas línguas bantu. Além de uma considerável literatura relevante, o artigo baseia-se na análise de dados obtidos quer pelos métodos bibliográfico, introspectivo quer através de entrevistas. Ele explora quase todas as estratégias possíveis de resolução de conflito de género, usadas pelos falantes de Ciwutee, nomeadamente, a construção comitativa, a estratégia mais produtiva, segundo Langa (2009) e o recurso a factores extralinguísticos (seres vivos [+humanos], [-humanos], foco da conversa) que também desempenham um papel importante nesta matéria.</p> Joaquim João Razão Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 243 254 Wumpfumumphatu wa XiChangana: wujondzi la mpimu wa mpfumawulu, wuhangalaki ni wutsemerisi la wona https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/828 <p><strong>Nkatsakanyu: </strong>Tsalwa leli linkongoma kujondzisisa ntinvompfumu wa mpfalu wa xiChangana (S53), nalihiseka hi kukholwisa lesvaku mpfalu la ntivu matirhisela ya lirimi hi lona lihangalakaka kusukela ka ntlelo la ximatsi kuyafika ka la xinene ka XiChangana, kambe kuhangalaka loko ka tsemerisiwa mahlweni ka marito mahambanaka hi mpfalu ntsena. XiChangana i lirimi la xibantu lingani 5 wa maltwali (/a/, /e/, /i/, /o/ e /u/), kasi lawa makomile hinkwawu, handle ka ritwali lolandza la magamu lingaleha hi mpfumawulu ntsena. Hambilesvo, ka rito riyanakanyisi (cf. Sitoe, 1996; 2016; Langa, 2003; Nhampoca, 2018), kuhlwela ka ritwali kahambanisa marito. Hi kutirhisa ndlela ya wusenchi anga kuvutisela, kulerha mikhwepa ni kutiyanakanya, wujondzisisi likomba ku xiChangana xini mimpfalu yimbirhi, anga mpfalu wa kutlakuka ni mpfalu wa kuyehla. Mpfalu wotlakuka ungahangalaka uya ka rito lolandza riva ringama ka peletwana la kulandza la magamu ka xiga, ndzeni ka mfumu wa mpfalu lowu, kasi mpfalu loyehla alimaha lesvo. Kuhangalaka loko ka mpfalu wotlakuka kutsemelisiwa loko marito ya kona mahambana ni mpfalu ntsena. Wujondzisisi likomba nakona lesvaku ka XiChangana xa masikwana lawa, svitatisi svodqiveka ([obstr]), svokhumbana ([cont) kumbe svohumesa moya hi matlhelo ([ lat]) asvingheni ka wutsimbi la kuhangalaka ka mpfalu, kuhambana ni Beuchat (1961). Nakona, kuhambana ni XiKonde (cf. Liphola, 2010) ritwali la magamu ka riyendli la XiChangana lingakumeka ni mpfalu wotlakuka.</p> <p>***</p> <p><strong>Resumo: </strong>O presente texto visa analisar a fonologia prosódica do XiChangana (S53), centrando-se em argumentar que o tom gramatical é o único que se expande da esquerda para a direita na língua, contudo o mesmo é bloqueado quando os constituintes apresentam tom lexical distintivo. XiChangana é uma língua bantu com um sistema de 5 vogais contrastivas (/a/, /e/, /i/, /o/ e /u/), sendo estas tipicamente breves, com a exceção da penúltima sílaba das palavras que tem vogal foneticamente longa. Contudo, em ideofones (cf. Sitoe, 1996; 2011; Langa, 2003; Nhampoca, 2018), a duração vocálica nesta posição é distintiva. Usando a entrevista, a consulta de documentos e a introspeção, os dados analisados do tom permitem concluir que esta língua tem 2 tons de nível, a saber, tom alto e tom baixo, podendo este ser lexical ou gramatical. O tom alto pode propagar-se para as moras seguintes até a penúltima sílaba, sendo que a sua propagação é bloqueada em palavras com o tom lexical contrastivo. A análise dos dados permitiu concluir também que no XiChangana actual, os traços fonológicos ([obstr], [cont], [lat]) das consoantes oclusivas, fricativas, laterais, vibrantes) não influenciam nos tons das palavras (cf. Beuchat (1961). Os dados do XiChangana sugerem que a vogal final do verbo no infinitivo ou flexionado pode ter tom alto, diferente do que acontece no ShiMakonde (cf. Liphola, 2010).</p> David Alberto Seth Langa Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 255 271 A Influência do Cokwe na colocação de pronomes clíticos no português falado pelos alunos da 9ª classe do Complexo Escolar Nº2 do Ritenda https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/845 <p>O presente artigo é resultado de uma investigação levada a cabo no âmbito da nossa responsabilidade como docentes de Línguas, tanto da portuguesa como as nacionais, no ensino geral de Angola. Tendo como título: A Influência do Cokwe na colocação de pronomes clíticos no português falado pelos alunos da 9ª classe do Complexo Escolar Nº2 do Ritenda. A pesquisa incidiu-se sobre o processo de ensino-aprendizagem das línguas na 9ª classe. Partimos com o seguinte objetivo: perceber sobre a colocação de pronomes clíticos no português falado pelos alunos da 9ªclasse do Complexo Escolar Nº2 do Ritenda. Partimos dos seguintes questionamentos: 1- como os alunos da 9ª classe do Complexo Escolar Nº2 do Ritenda fazem a colocação dos pronomes clíticos em Língua Portuguesa (LP)? Será que a colocação dos pronomes clíticos em Língua Portuguesa (LP) pelos alunos tem influência da língua Cokwe? Esta pesquisa é de cunho descritivo, pois coletamos dados que mais tarde foram traduzidos quantitativamente em gráficos. Para chegarmos aos resultados, utilizamos alguns métodos como: observação, descrição, indução-dedução, ademais como técnica de recolha de dados nos foi útil o inquérito por questionário. Os resultados da nossa pesquisa dão conta de que existe uma diferença na colocação dos pronomes clíticos entre a LP e a língua Cokwe. Nessa língua africana não ocorre a mesóclise e a ênclise, apenas a próclise, demarcando-se, assim, da LP. Uma vez que os alunos, na sua maioria, apresentam maior proficiência na língua Cokwe, em detrimento de LP, a nossa observação revelou que os mesmos apresentam dificuldades no que toca à compreensão e domínio dos pronomes clíticos tratados pelos professores em LP, por não possuírem uma competência linguística imposta pela gramática normativa.</p> <p>***</p> <p><strong>Mujimbo: </strong>Kukimba cino cakatukila ku kuca ca malongeso a kutuala hatonza ca Myanda yakuhu humuisa mana a malongeso, yialingiwile ku cipatulo ca kukimba ca malaka nyi myianda yiaco (the young Geniueses Scool). Nyionga lino lili nyi xindakenyio yia andji ngue ino: Kusolola kulithucika catwama há malaka ali nyi kuxindakenia ca kuci laka lia Cokwe liakufumbumuisa kuzuka ca kutata ca isoneko iximbata utopa um laka lia phuthu akuhandjika kuli alongi a um kalasa ka mucilivwua aku xikola yia lusona wamucoli yia Litenda. Twakunilinga nyi macyiendjekela ngue wano: Kutalatala nyi isonekeso hamwe nyi mangana a kuca ca kuzuka, cina kathuwahilila há kukimba caco. Milimo yia mu undji inasolola ngueni hali umwe kapnda kuli alongi, akutwala ku ulumbumwiso wifilixio wa malongeso waze akutambula kuli alongexi, momo ha kucina kuningika handji kucina kumpwa nyi uningikiso wa kutata ca laka, kamucali kexi nyi uningikiso wa mukanda wa sona já uningikiso handji wakutata ca laka um isonekeso yia ximbi. Mba hakutwala ku kuhasa nyi ha kwalumuna ca kupwa cino, hanga tuhase kukwasa ulilongeselo wa alongi, mucilita nyi Nguvulu matala ku ximbi jino, mba hanga ahase kululyieka camaliondjikela akufeta hakutwala ku ingamba ngamba ngue ino: Mukanda wa kuningika kutata ca kuhandjika kanawa laka (Gramática), Mikanda yia laka lyia phuthu já um Angola, Mukanda wa kuhandjika kanawa ca umwenemwene wa akwa Angola momo lyia kukinda umwe kapinda yoze wakupindisa alongi nyi alongexi há tangua nyi tangua.</p> Domingos Njamba Yeta Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 272 293 Bindi nodódi pidji ka pular-futa wouletédo Guiné-Bissau: etagôl mondjingol defterê êdendê tati https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/859 <p><strong>Duitugol: </strong>Pular futa Ko fedde pular wouletedho Guiné-Bisaau, leidi wondi Ka hello África ocidental. N’gal dengal fulbhe-futaben hutorta, bhê fulbhe non ka Guiné-Bissau, bhê burri héwude Bafatá kanhun ê n’gabu. Si dundhon fidji, se bhê fulbhe yahi ê leidhe godhê, bhê woulai gal dengal. Ko dun wadi ka der dê gollê, men modjinai deutun holirun ko honô bê fulbhe nodirtha pidjidi wondi ka aduna, kanhun hê indhê yimbhêben. Fi famugol dun, men falano wahugol ka sudo mabhê, kono bai ówattu nhau nô wódi ka aduna, men yahani, konô men wadu landê ko honô bhê nodirta pidji djenai fi:&nbsp; culê, nhameté, mussidal, metchê kanhun ê goddi. Bhebê men landi bem fop ko fulbê wonubê Brasil-CE, djguibhê dúbi nogai e djai há tchapandê nai. Fi famugol fi pidji herodirdi ê gollê amanden, men hutor ê gollédji goddi wanô: Nunes (2018), Tambá, Timbane (2020), Hampâté Bá (2013), Pontes (2009) Alves (2001), Fromm (2003) e Welker (2004), kanhun hê wobhê gó. Bai men fámi ko hona bhê fulbhe nodirta di pidji, men mondjini, madhun men holiri ko honô dengal portô kanhun hê dengal bissaugal nodirta di.</p> <p>***</p> <p>Futa-fula é uma variedade da língua fula falada na Guiné-Bissau, país localizado na costa ocidental de África. Essa variedade é usada pelos futa-fulas e a maioria desse povo se encontra no leste do país, nomeadamente, em Bafatá e Gabú. Além disso, é possível encontrar, em algumas comunidades da diáspora, guineenses que falam futa-fula. Sendo assim, o presente estudo tem por objetivo organizar um vocabulário a partir dos campos lexicais da língua futa-fula utilizada pelos estudantes guineenses da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab-CE). Para obtenção dos dados, devido ao contexto de pandemia da COVID-19, aplicamos um questionário online a dez estudantes que têm a futa-fula como primeira língua. No questionário, elaboramos nove campos lexicais, a saber: animais, alimentação, família, vestimentas, cores, profissões, sentimentos, escola e artes. Solicitamos que os participantes colocassem o referente a cada lexia na língua futa-fula. Como fundamentação teórica, para falarmos da língua futa-fula, dos futa-fulas e dos seus costumes, trazemos Tambá e Timbane (2020), Hampâté Bá (2013). Para fundamentar os estudos lexicológicos, usamos Pontes (2009) Alves (2001), Fromm (2003) e Welker (2004) e para os campos lexicais, consideramos Nunes (2018). Após as análises, organizamos um vocabulário trilíngue com as lexias e suas correspondentes em português – futa-fula – guineense.&nbsp;</p> Mamadu Seidi Gislene Lima Carvalho Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 294 321 Dinâmica das formas de tratamento no português veiculado em Angola https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/860 <p>Esta pesquisa cujo título incide na “<em>Dinâmica das formas de tratamento no português veiculado em Angola</em>” tem como objetivos (i) descrever o fenômeno da alternância das formas de tratamento, precisamente nos funcionários da Administração Municipal de Luanda e do Gabinete Provincial de Educação de Malanje; (ii) caracterizar os principais casos de oposição funcional das formas de tratamento na administração municipal de Luanda e no Gabinete Provincial de Educação de Malanje; (iii) contribuir para o conhecimento e compreensão das formas de tratamento do português veiculado em Angola. Para a efectivação da pesquisa recorreu-se a um <em>corpus </em>oral e escrito, cujas fontes são os enunciados extraídos das entrevistas e dos questionários aplicados aos funcionários da Administração Municipal de Luanda e do Gabinete Provincial de Educação de Malanje. Para o tratamento dos dados, procedi à análise comparada das formas de tratamento utilizadas nos distintos contextos (proximidade <em>vs</em>. distanciamento) entre os falantes, com a intenção de compreender a diferença significativa no âmbito da colocação das mesmas. Percebi também que a dinâmica das formas de tratamento nas instituições em apreço proporcionam a possibilidade do emprego das mesmas, implicando vários fatores sociolinguísticos, com realce para a hierarquia social, formalidade vs. informalidade, a educação, idade, etc. Assim, parece-me que o uso das formas de tratamento é complexa, porquanto a sensibilidade dos falantes das duas cidades, no que tange ao uso das formas de tratamento é visivelmente diversificada e, denota-se, desconhecimento sobre o uso correcto das mesmas. Os resultados demonstram que as línguas são sistemas dinâmicos e não estáticos e que a língua portuguesa apresenta particularidades próprias nas diferentes normas nacionais.</p> <p>***</p> <p><strong>Utetulukilu: </strong>O uzanzelu yu, wa lungu ni “O masunga a udixanenu wa athu mu dizwi phutu mu ixi ya Ngola” wala ni jimbambe kala jiji (i) o kutumbula o wixanenu wa athu, kya beta kota dingi, ku akalakadi a tokala ku Udimixi wa Mbonge ya Luwanda ni mu Dixilu dya Kulonga o Kutanga ni Kusoneka mu Kibhatu kya Malanji; (ii) o kutumbula o ji nzoka nzoka jya lungu ni kudixana kwa athu mu Udimixi dya Mbonge ya Luwanda ni Dixilu dya Kulonga o Kutanga ni Kusoneka mu Kibhatu kya Malanji; (iii) Kubhandekesa o kwijiya ni kutetuluka kwa wixanenu wa athu mu dizwi dya phutu mu ixi ya Ngola. Phala kutenesa o uzanzelu yu, twa mono kusota izwelelu ni isoneku ya athu a kituka, kifa, majiya a menya, mukonda ene a tambwisa o malumbamba u twa bhana ku akalakadi a tokala ku Udimixi dya Mbonge ya Luwanda ni ku Dixilu dya Kulonga o Kutanga ni Kusoneka mu Kibhatu kya Malanji. Phala ku yukisa kya mbote, nga sokesa o udixanenu wa athu mu kisangi (yo akala ni kisoko ni yo kambe o kisoko), ku atungi ni asomi, phala o kuthonginina mwene o katungu kala bhu kaxi kya kudixana. Nga tetuluka na we kuma, o udixanenu ku matenda yawa weza phala o kubhana musenza wa kudixana mwene kyenyokyo, mukonda dya ukexinu wila, o wadikimi mu kisangi, o ukexinu wa ijila ni ukambelu wa ijila, o ulongelu, o mivu ya uvwalukilu, ni kya diteku. Mukiki, nga fika kuma, o wixanenu wa athu yu wa bhinjika, muthandu a kwila, o atungi ni asomi a ilombo i yadi yiyi a dixi, mukonda, o atungi ni asomi ene muku xila mwene o udixenenu wa fwama. O swilu y twa sangeku i tulondekesa o kwila, o mazwi ya mwene a kula ni masunga oso, kyemana, kana. O phutu na we, kyene kimoxi, yalaku ni ijila yayi, kya beta kota, mu uzwelelu we ku ixi yoso.</p> João Pedro Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 322 340 La dramatización, una técnica para el desarrollo de las habilidades sociales de los estudiantes con talento académico. https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/851 <p>Los estudiantes con talento académico se caracterizan precisamente por un ritmo de desarrollo rápido, alta implicación y motivación personal en el área de interés, que necesita ser atendida lo mas temprano posible para que no se vaya produciendo un alto grado de desmotivación, de manera general altos grados de frustración que se manifiestan en conductas hostiles. Según trabajos de investigación, los estudiantes con talento académico tienen dificultades para integrarse en el grupo de otros. Esto demuestra que este tipo de estudiantes no tienen muy bien desarrolladas sus habilidades sociales, nos referimos a escuchar al resto de los estudiantes, compartir el establecimiento de gobernante en el grupo, comportarse respetuosamente para evitar conflictos, reconocer las posibilidades de su pareja y comprender su comportamiento. Para enfrentar estos desafíos es necesaria la apropiación de un conjunto de saberes que permitan entender e incorporar a los modos de actuación profesional los progresos que se producen en la ciencia y tecnología como principales fuentes organizadas para la producción de nuevos conocimientos. Mediante la dramatización los estudiantes pueden escenificar las habilidades que requieren de una estimulación, utilizando el lenguaje verbal, corporal, gestual y facial, de esta manera los participantes representan hechos, situaciones de la vida, actitudes, conductas propias o de otras personas permitiendo la visión de los problemas desde otro punto de vista.</p> <p>***</p> <p>Students with academic talent are characterized precisely by a rapid pace of development, high involvement and personal motivation in the area of ​​interest, which needs to be attended as early as possible so that a high degree of demotivation does not occur, generally high degrees of frustration manifested in hostile behavior. According to research, academically talented students have difficulty integrating into the group of others. This shows that these types of students do not have their social skills very well developed, we refer to listening to the rest of the students, sharing the establishment of a leader in the group, behaving respectfully to avoid conflicts, recognizing the possibilities of their partner and understanding their behaviour. To face these challenges, it is necessary to appropriate a set of knowledge that allows understanding and incorporating into the modes of professional action the progress that occurs in science and technology as the main organized sources for the production of new knowledge. Through dramatization, students can stage the skills that require stimulation, using verbal, body, gestural and facial language, in this way the participants represent events, life situations, attitudes, own behaviors or those of other people, allowing vision problems from another point of view.</p> André Artur Dalama Tchipaco Tchipaco Nilda Vera Salazar Caridad Vera Salazar Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 341 354 Ku anakanya kaku karhata ka kudjondzisa niku djondzisiwa ka xiputukesi e ka vadjondzi vhale kandzelekanu na Maquela wa Sombo-Angola https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/861 <p><strong>Nkatsakanyu:</strong> Papila lerhi rivulavula hi mikarathu ikulu e ku funda ni ku fundisiwa xiputukesi e kA xifundza nkulu Uige, e mugangeni wo tsemelana na Maquela wa Zombo. Hi navela ku txuvuka leswaku hi kwini ku karateka e ku djodzisa ni ku djondzisiwa xiputukesi kA va djondzi lava nga ni ririmi Ra kikongo pswanga ririme Ra mamana e kA muganga wo tsemelana na Maquela wa Zombo. Tidjondzo leti ti konbisa tindlena leti nabzalisaka ku djondza ni ku djondzisiwa xiputukesi pswanga ririme leri ambaneke ni ririme Ra mamana e ku fambelena ni tiyiso ya le tiko nkulu Angola. Hi djondzo lerhi yentxekaka na rihuma e kA mabuku yo hambana-hambana. Ri djondza hi ku hlayutela, na ri tirhisa ku xopa-xopa wutivi hi ku lhela swilo, na ri langusa hi wu nyami-nyami a ku karhata loko vadjondzi va ku kumana e kA doropa Ra Maquela, na hi vutisile e kA vadjondzi leswaku va xiyinguela ha hombe xiputukesi ké, loko va djondza xikolene? Ka tirho lowu ku tsubuleka leswaku a va djondzi va djonzdza hiku karateka e kA ndzelekanu na Maquela wa Zombo a wu djondzi Ra xiputukesi xi yentxiya hi tinrime timbirhi, na Yi li ndlela ya ku lwa e kA mhaka leyi.</p> <p>***</p> <p><strong>Resumo</strong>: O presente artigo aborda sobre as principais dificuldades ligadas aprendizagem e ensino de língua portuguesa, na província do Uíge, nas zonas fronteiriças do Município de Maquela do Zombo. Pretendemos assim Identificar as principais dificuldades no processo de ensino/aprendizagem da Língua Portuguesa aos alunos que têm o Kikongo como língua materna na zona fronteiriça do Município de Maquela do Zombo. A pesquisa mostra caminhos metodológicos que poderão facilitar um ensino/aprendizagem de Português Língua Não Materna em contextos da realidade angolana. É uma pesquisa de cunho bibliográfico. Circunscrito num paradigma qualitativo, tendo como estratégia de investigação o estudo de caso de cariz interpretativo que consiste numa descrição pormenorizada do caso estudado Face a dificuldade sentida pelos alunos do município de Maquela questionamos se todos alunos entendem bem o português em contexto de sala de aulas? A pesquisa revelou as dificuldades que os alunos das zonas fronteiriças de Maquela do Zombo apresentam na aprendizagem de língua portuguesa e propõe o bilinguismo como uma saída para o imbróglio.</p> Eduardo David Ndombele Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 355 370 A Realidade Cantada: a canção enquanto complemento interdiscursivo para literatura africana de língua portuguesa https://revistas.unilab.edu.br/index.php/njingaesape/article/view/805 <p>O presente ensaio propõe discutir, a partir da falta de acesso e leitura da literatura africana de língua portuguesa em seus países africanos de língua oficial portuguesa, como as canções desempenharam uma função central nos anos de 1960 e 1970 para comunicar e tornar popular os ideais e características que essa literatura buscava apresentar. Junto a esse exercício, é também apresentado como, em uma realidade transatlântica, a canção brasileira de protesto desempenhava funções similares, demonstrando de forma holística como o colonialismo e a luta anticolonial constelavam durante esse período, tornando as canções da época uma ferramenta essencial para compreender as tendências estéticas, ideológicas e literárias de antigas colônias portuguesas em seu processo de emancipação social. Busca-se, portanto, explicitar essa disputa com o antigo colonizador, os pontos comuns que a anticolonialidade caracteriza nessas realidades, e como, mesmo precisando de um mercado externo para se legitimar por conta das dificuldades de inserção no mercado local, a literatura nos países africanos delimitados, como Angola, Moçambique e Cabo Verde ainda possuíam seus ideais e propostas vivos a partir das canções compostas no contexto das Guerras Coloniais. Espera-se, a partir da reflexão suscitada no presente trabalho, instigar o envolvimento de recursos interdiscursivos, principalmente envolvendo a canção de protesto, de cunho popular, para investigação das dinâmicas literárias das realidades escolhidas e analisadas.</p> <p>***</p> <p><strong>Abstract:</strong> This essay proposes to discuss, based on the lack of access and reading of Portuguese-speaking African literature in its official Portuguese-speaking African countries, how songs played a central role in the 1960s and 1970s to communicate and make popular songs. ideals and characteristics that this literature sought to present. Along with this exercise, it is also presented how, in a transatlantic reality, the Brazilian protest song performed similar functions, demonstrating in a holistic way how colonialism and the anti-colonial struggle constellated during this period, making the songs of the time an essential tool for understanding the aesthetic, ideological and literary trends of former Portuguese colonies in their process of social emancipation. The aim is, therefore, to clarify this dispute with the former colonizer, the common points that anti-coloniality characterizes in these realities, and how, even though it needs a foreign market to legitimize itself due to the difficulties of insertion in the local market, literature in countries Delimited Africans such as Angola, Mozambique and Cape Verde still had their ideals and proposals alive from the songs composed in the context of the Colonial Wars. It is expected, from the reflection raised in this work, to instigate the involvement of interdiscursive resources, mainly involving the popular protest song, to investigate the literary dynamics of the chosen and analyzed realities.</p> Gabriel Barth da Silva Silva Copyright (c) 2021 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2021-12-30 2021-12-30 1 Especial 371 381