v. 6 n. Especial I (2026): Línguas, culturas e visualidades em diálogo: Libras, educação e expressão artística
APRESENTAÇÃO
Nenhuma prática educativa existe à margem da linguagem. É por meio dela que o conhecimento circula, que as relações pedagógicas se constituem e que cada sociedade define as formas pelas quais ensina, aprende e projeta seu futuro. As mudanças que marcam o tempo presente deslocam essas relações, reconfiguram os modos de produzir e compartilhar saberes e desafiam pesquisadores e professores a revisitar concepções consolidadas sobre ensino, formação e letramentos. Nesse cenário, a reflexão sobre a linguagem demanda discutir as condições que tornam possível uma educação capaz de responder às demandas de uma realidade cada vez mais diversa, conectada e socialmente complexa.
É nesse horizonte que se insere este dossiê, dedicado à aproximação entre pesquisas desenvolvidas no Brasil e em países africanos que investigam as interfaces entre os Estudos Linguísticos e a Educação. Os trabalhos aqui reunidos dialogam com experiências construídas em espaços formais e não formais de ensino, em diferentes níveis e modalidades de escolarização, incluindo a docência universitária. Embora abordem objetos distintos, compartilham o interesse por compreender como as práticas de linguagem respondem aos desafios colocados pelas tecnologias impressas e digitais, pelos múltiplos letramentos e pelas demandas contemporâneas de formação.
A aproximação entre esses contextos ultrapassa a convergência temática e cria um espaço de interlocução entre diferentes experiências históricas, culturais e educacionais. Em todas elas, a linguagem assume uma dimensão estruturante da formação humana e da organização de práticas educativas comprometidas com a pluralidade linguística, cultural e social. Nesse sentido, as pesquisas aqui reunidas reafirmam que ensinar línguas pressupõe considerar as condições de produção dos discursos, a diversidade dos sujeitos e os efeitos que toda prática educativa produz sobre as formas de participação social.
Esperamos que esta obra inspire novas investigações e contribua para consolidar uma concepção de educação em que a diferença linguística constitui um princípio que amplia as possibilidades de produzir conhecimento, formar sujeitos e construir formas mais plurais de convivência.
Agradecimentos ao Otaviano pela gravação e ao Farisse Alexandre Timbane (UFBA) pela edição e organização dos Video-Artigos publicados nesta edição especial.
Organizadoras da Publicação: Profa. Dra. Letícia de Sousa Leite, Profa. Dra. Eliamar Godoi e Profa. Dra. Carine Gurunga de Matos

