Vol. 6 Núm. 1 (2026): Teias culturais e linguísticas: política, educação, religiosidade e dinâmicas sociais

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Todas as sociedades humanas possuem uma ou várias culturas que marcam identidades próprias e de pertencimentos. Sob o ponto de vista pragmático não existe uma cultura estática e imutável. Toda a cultura se ajusta aos contextos reais dos seus praticantes. Entendamos por cultura "todo conhecimento que uma sociedade tem sobre si mesma, sobre outras sociedades, sobre o meio material em que vive e sobre a própria existência" (Santos, 1996). Já a religiosidade, de acordo com Clacir José Bernardi e Maria Augusta de Castilho "constrói um universo de reflexão todo especial na vida seja individual ou social por envolver um contrato, em que o elemento esperança e sentido da vida são fundamentais para o desenvolvimento do ser humano em sua trajetória terrestre"(Bernardi; Castilho, 2016). Nesta perspectiva não se justifica a ideia de que África é um só país e que seus habitantes não possuem uma cultura. Os africanos (angolanos, guineenses, somalianos, congoleses, tunisianos, etc.) possuem várias culturas, várias línguas e várias identidades que caracterizam qualquer sociedade. O que precisamos pensar é sobre como descontruir as ideologias coloniais já implantadas e que promovem o preconceito.  

O vol.6, nº 1 (2026), organizado pelo Prof. Dr. Rajabo Alfredo Abdula tem como título "Teias culturais e linguísticas: política, educação, religiosidade e dinâmicas sociais" e busca desconstruir esses olhares negativos sobre a África demonstrando as especificidades de cada realidade. As cidades autónomas da Espanha localizadas na África (Ceuta & Melilla) lembram-nos a cada dia, as consequencias da colonização que afetou moral, cultural e politicamente. Lembrando que a partilha da África  não foi feita pelos africanos, mas sim pelas potências europeias. O Professor Rajabo Abdula organizou quinze (15) artigos inéditos que buscam discutir essas perpectivas olhando para África nas suas particularidades, assim como a diáspora  brasileira construida pelo processo nesfato da colonização. Existe África no Brasil, na Jamaica, no Equador, no Haiti em vários países onde a colonicação ocorreu. Essa África se manifesta por meio de práticas culturais que nos remetem às origens desses afrodescendentes. Nesses espaços coloniais nasceram novas Áfricas que preservam (até hoje) suas matrizes e que perpetuam a religiosidade, a educação, as tradições, as culinárias, os jogos, as danças e os cantos. Por sua vez, grupos étnicos africanos procuram conservar as práticas dos antepassados também, contrapondo a modernidade que promove o abandono e a aculturação. Ao percorrer a publicação do Prof. Abdula será possivel visalizar essas discussões que ao nosso ver são importantes para uma luta permanente pela identidade. 

Desejamos a todo(a)s uma boa leitura e jamais esqueçam de compartilhar com interessados!

Em nome da Revista Njinga & Sepé agradecemos ao Prof. Abdula pelo intenso trabalho de organização desta publicação. Muito obrigado, professor. 

(Alexandre A.Timbane, Editor-chefe)

Publicado: 12-09-2026

SEÇÃO III – HISTÓRIA, RESISTÊNCIA, RELIGIÃO E DIÁLOGOS INTERCULTURAIS