O Feiticeiro de Xavier Marques e as representações sobre África e ser africano no final do século XIX e início do século XX, na Bahia
« Le Sorcier » de Xavier Marques et les représentations de l'Afrique et de l'identité africaine à Bahia à la fin du XIXe et au début du XXe siècle
Palavras-chave:
Nina Rodrigues, História Cultural, Roger Chartier, Salvador Oitocentista, LiteraturaResumo
O presente artigo se propõe a identificar e comentar algumas representações da África, seus povos e culturas no romance “O Feiticeiro”, de Xavier Marques. Guiando-se pelas concepções teóricas e metodológicas da história cultural, notadamente do conceito de representação forjado por Roger Chartier, a obra literária será analisada como fonte histórica a ser cotejada com outras, como recortes jornalísticos e obras de intelectuais do período. O trabalho contribui para a compreensão de alguns aspectos de como o “ser africano” era compreendido em Salvador no final do século XIX e início do século XX por variados agrupamentos, sejam os intelectuais, sejam as elites econômicas, sejam os próprios indivíduos importados do que hoje compreendemos como África e seus descendentes, daí sua relevância. Essencialização enquanto ‘negros’, pertencentes a uma ‘raça inferior’ tanto biológica quanto culturalmente, ‘incivilizados’, escravo insurgente assassino, eis algumas representações que povoavam o imaginário de parcela da população soteropolitana no período e identificada em “O feiticeiro”. Representações positivas, onde o continente africano legou à humanidade variadas sociedades civilizadas, concorriam no período com as imagens negativas e eram difundidas especialmente durante o carnaval pelos ‘clubes uniformizados africanos’. Antes de uma conclusão peremptória, o presente artigo retrata uma tentativa inicial de entender tais questões.
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Cet article vise à identifier et à commenter certaines représentations de l'Afrique, de ses peuples et de ses cultures dans le roman « Le Sorcier » de Xavier Marques. Guidée par les conceptions théoriques et méthodologiques de l'histoire culturelle, notamment le concept de représentation forgé par Roger Chartier, l'œuvre littéraire sera analysée comme une source historique à comparer à d'autres, telles que des coupures de presse et des travaux d'intellectuels de l'époque. Ce travail contribue à la compréhension de certains aspects de la manière dont l'« être africain » était perçu à Salvador à la fin du XIXe et au début du XXe siècle par différents groupes, qu'il s'agisse d'intellectuels, d'élites économiques ou d'individus venus de ce que nous appelons aujourd'hui l'Afrique et leurs descendants, d'où sa pertinence. Essentialisation en tant que « Noirs », appartenant à une « race inférieure » tant biologiquement que culturellement, « non civilisés », esclaves meurtriers et insurgés, telles sont quelques-unes des représentations qui ont nourri l'imaginaire d'une partie de la population salvadorienne à cette époque et que l'on retrouve dans « Le Sorcier ». Durant cette période, les représentations positives, où le continent africain léguait à l'humanité diverses sociétés civilisées, rivalisaient avec des images négatives et étaient notamment diffusées lors du Carnaval par les « clubs africains en uniforme ». Avant de tirer une conclusion définitive, cet article propose une première approche de ces enjeux.
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