Mukwa: A árvore sagrada como metáfora viva da identidade africana(Um contributo etnolinguístico sobre a simbologia bantu e os nomes originários do imbondeiro)

Omukwa: omuti ukola ukehi ngoheteko yocipuka cin'omwenyo conkalo covituwa vyovaafilika (Eyawiso limwe lyomalaka lyondimbukiso yovantu ngwe nomanduko opocoto atundilila omukwa)

Autores

  • Adilson K. P. Kambindangolo Magistério de Ondjiva "Dr. António A. Neto" - Angola

Palavras-chave:

Mukwa, Identidade africana, Etnolinguística, Simbologia bantu, Imbondeiro

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão etnolinguística sobre o nome tradicional da árvore popularmente conhecida como imbondeiro, argumentando que a sua designação original nas línguas bantu — como mukwa (árvore) e makwa (fruto) — foi deturpada pelo contacto colonial e pela interferência grafofonológica do português. O estudo visa resgatar a nomeação autêntica desta árvore sagrada nas línguas nacionais de Angola, valorizando o seu significado simbólico, espiritual e identitário. Por meio de análise linguística e histórica, revela-se que nomes como mbondo, omukwa, ukwa ou mumbondelo, encontrados em várias línguas bantu, expressam uma lógica gramatical distinta e uma visão do mundo profundamente enraizada no saber ancestral. Em contrapartida, o termo imbondeiro resulta de apagamento cultural e adaptação morfológica ao português, contribuindo para a deturpação do pensamento africano. Ao destacar a diferença entre mukwa (árvore) e makwa (fruto), o autor critica a simplificação imposta pelo uso comum em português “sumo de mucua” e propõe a revalorização das estruturas semânticas originais das línguas bantu. A árvore mukwa é apresentada como metáfora viva da identidade africana — símbolo de resiliência, memória coletiva e sabedoria ancestral. Provérbios nyaneka e expressões orais reforçam o papel da árvore como centro espiritual e pedagógico nas comunidades locais. Nomear corretamente é, assim, um ato de resistência cultural e compromisso com a verdade epistemológica africana.

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Etikula eli lyeeta ehinangelo lyomalaka litola omuti wiwikwe nenyina  imbondeiro, okuti enduko lyaco lyocili momalaka etu ocilongo — utiwa omukwa (omuti) ngwe omakwa (ocinyango) — enyina eli lyapongohonwa eci kaputu eya ngwe nomucisonekwa nomucitumbulwa  moputu. Ondongeso ei itulekesa omu mutumbulwa enyina lyaco lyocilicili womuti  ou ukola momolaka etu omoAngola, nokuhivaika esilivilo lyao nomu wiwikilwe.  Mokuhita kohi yomalaka nomahipululo, camoneka okuti  omanyina ngaa mbondo, omukwa, ukwa hamwe mumbondelo, avaswa momanyina omanyingi omoAfilika, atola cina cavyukilila, caswapo celikalela ngwe cimoneka oku catundilila komalilongeso ovakulu vetu. Camoneka okuti,  enyina imbondeiro  lyamoneka mweeci ovituwa vyetu vili nokunyima ngwe neci tuli nokwiika okutola onondaka mboputu, aco ceeta okuyapuka monondunge mbetu mbovafilika. Mokulombolola eliyapuko mukwa (omuti) makwa (ocinyango), omuhoneki upula hamwe uhita koi mweci ovantu veli nokukuluminywa okutola enyina lyoputu “sumo de mucua”ngwe ulekesa esilivilo nelomboloko  lyocili comalaka omoAfilika. Omuti womukwa ulekeswa ngomuhe  ulekesa ocikumba comoAfilika ondimbukiso yava vahakondoka konyima, velikwata ocipandi nokulandula onondunge mbovakulu vokohale. Omihe vyovanyaneka nonondaka mbutolwako mbulekesa esilivilo lyomuti ngocikoto compepo momalilongeso oulongo. Okuluka cocilicili cilomboloka okupa esilivilo ovituwa ngwe nelikumiyo lyocili lyondongeso mboAfilika.

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Biografia do Autor

Adilson K. P. Kambindangolo, Magistério de Ondjiva "Dr. António A. Neto" - Angola

Professor de Línguas Angolanas e Língua Portuguesa no Magistério de Ondjiva, “Dr. António Agostinho Neto”. Licenciado em Ensino do Português e Línguas Angolanas, é formador de línguas angolanas e investigador independente na área das línguas bantu, dedicando-se ao estudo, ensino e valorização do OluNyaneka, Umbundu e Oshikwanyama, com enfoque em fonética, morfologia e estrutura nominal.É membro do Núcleo de Estudo de Línguas e Culturas (NELIC), no Instituto Superior Politécnico Jean Piaget – Benguela. Em 2023, participou na elaboração e tradução de materiais de apoio às línguas angolanas, no âmbito de iniciativas do Ministério da Educação de Angola, contribuindo para o fortalecimento do ensino e da padronização das línguas nacionais no sistema educativo.É autor e coordenador do projecto Glossário Multilíngue (Português–OluNyaneka–Oshikwanyama–Umbundu), voltado à sistematização lexical, terminológica e cultural das línguas angolanas, incluindo a organização de provérbios e terminologias tradicionais. Desenvolve também o projecto de artigo científico intitulado “Mukwa ou Makwa”, centrado na reflexão linguística, etimológica e identitária das línguas angolanas.Prefaciou a obra Árvore Genealógica da família dos Vakwanjumba/Vakwahepo e Vakwambela. Seu trabalho visa à preservação, valorização científica e internacionalização das línguas e saberes culturais angolanos, articulando investigação, formação e produção de materiais didácticos.  

Referências

Mazrui, A. (1986). The Africans: A triple heritage. BBC Publications.

Ngugi wa Thiong’o. (1994). Decolonising the mind: The politics of language in African literature. East African Educational Publishers.

EcoAngola. (2025, 22 de julho). Disponível em https://ecoangola.com

Muzangala. (2025, 21 de julho). Os benefícios da mucua e do imbo. Disponível em https://muzangala.ao

InfoEscola. (2025, 20 de julho). O baobá, também chamado de imbondeiro, embondeiro ou calabaceira: importância da árvore. Disponível em https://www.infoescola.com

Kambindangolo, E. (2020, 20 de Maio). Entrevista pessoal. Bairro Mapunda, Huíla, Angola.

Testemunhos orais de anciãos ovanyaneka, Cokwe, Fiote e Umbundu. (2019–2024).

Arquivo pessoal de Adilson Kambindangolo.

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Publicado

12-09-2026

Como Citar

Kambindangolo, A. K. P. (2026). Mukwa: A árvore sagrada como metáfora viva da identidade africana(Um contributo etnolinguístico sobre a simbologia bantu e os nomes originários do imbondeiro): Omukwa: omuti ukola ukehi ngoheteko yocipuka cin’omwenyo conkalo covituwa vyovaafilika (Eyawiso limwe lyomalaka lyondimbukiso yovantu ngwe nomanduko opocoto atundilila omukwa). JINGA SEPÉ: evista nternacional e ulturas, Línguas fricanas rasileiras (ISSN: 2764-1244), 6(1), 130–139. ecuperado de https://revistas.unilab.edu.br/njingaesape/article/view/2871

Edição

Seção

SEÇÃO II – CULTURA, IDENTIDADE, TRADIÇÃO E PRÁTICAS COMUNITÁRIAS