YAMEN-HITEP
Palavras-chave:
Letras kandianas, hieroglifização das línguas africanas, língua Bekwel, poesia endoglóssicaResumo
O presente texto é uma experiência (uma tentativa preliminar e embrionária) de hieroglifização, através da poesia, das línguas kandianas (africanas) modernas, em particular o Bekwel, a língua bantu A85b da África Central, com base nos resultados da linguística comparativa entre o egípcio antigo e as línguas kandianas modernas fornecidos pela Egiptologia africana (DIOP, 1977; OBENGA, 1993; MBOLI, 2010; BILOLO, 2011; IMHOTEP, 2020; 2023). Visto que a maioria das línguas kandianas ainda não tem uma escrita (funcional), o nosso objetivo, através deste projeto literário (uma série de publicações), é dar-lhes a littera (letra) para que tenham uma litera-tura (ficcional e não ficcional). Decidimos dar-lhes a littera hieroglyphica (letra hieroglífica), por necessidade de endogeneidade gráfica (que marca uma descolonização gráfica e escritural), sendo o egípcio antigo uma língua geneticamente relacionada com as línguas bantu (OBENGA, 1993; MBOLI, 2010; BILOLO, 2011; IMHOTEP, 2020). A littera latina (letra latina) será usada como sistema de escrita para a transliteração (divulgação, popularização), à semelhança do romaji (littera Romae, escrita romana) japonês. A ideia é promover a emergência ou o renascimento das Letras kandianas (Makanda ma Kanda), ou Literatura kandiana (SY, 2014), usando um sistema gráfico ancestral e endógeno: os /mdw-nṯr/ *[mɑ-dɑw n-ʧor] (Paroles de Deus), chamados hieróglifos pelos gregos. Os versos do poema desta publicação falam do faraó Amenhotep III, da sua filiação divina, a mesma que a de cada kandiano (africano), que é seu irmão. Humanidade e divindade são as características inseparáveis do sujeito kandiano (negro-africano); Deus é homem e o homem é Deus, tal é o grande mistério da filosofia kandiana.
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