Winela emwali: análise dos valores transmitidos às raparigas nos ritos de iniciação e a sua relação com a tolerância à violência doméstica

Winela emwali: analysis of the values transmitted to girls in initiation rites and their relationship with tolerance of domestic violence

Authors

  • Rafael Armando Benzane Universidade Lúrio - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

Keywords:

Ilha de Moçambique, ritos de iniciação, mulheres, violência doméstica

Abstract

Initiation rites constitute an institution for establishing social relationships in traditional societies, particularly in the north of the country. In Mozambique, female initiation rites are seen by some as the main cause of early marriages, teenage pregnancies and school dropout rates. Are female initiation rites also responsible for tolerating domestic violence? This research aims to understand the influence of initiation rites on the practice of domestic violence and its tolerance. The study was based on the problem that domestic violence against women on the Island of Mozambique involves young people aged 18 to 25 who have undergone initiation rites. The research adopted a qualitative methodology, through interviews aimed at religious, traditional and state leaders. The study found that the largest number of victims of domestic violence are between 18 and 25 years old, and, despite the efforts of state and community authorities to publicize Law No. 29/2009, the cases are not mostly reported to PRM or any other authority due to various factors, especially religious ones. The study concluded that tolerance to domestic violence against women on the Island of Mozambique is influenced by values ​​transmitted to girls in initiation rites and by religious factors, as these values ​​make women peaceful towards these acts of violence.

Downloads

Download data is not yet available.

References

Braço, Antônio D. Educação pelos ritos de iniciação: Contribuição da tradição cultural mse-sena ao currículo formal das escolas de Moçambique. Dissertação (Mestrado). São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, 2008.

Casique, Leticia C.; FUREGATO, Antonia R. F. Violência contra mulheres: reflexões teóricas. Latino-am Enfermagem, 2006.

Chirindza, Liendina J. Crianças Yao e Ritos de Iniciação: Caminhos para o Casamento Prematuro? Monografia (Licenciatura). Maputo: Universidade Eduardo Mondlane – UEM, 2015.

Coelho, Elza B. S.; Silva, Anne C. L. G. D.; Lindner, Sheila R. Violência: definições e tipologias. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2014.

Dias, Patrícia Regina Corrêa. Ritos e rituais - vida, morte e marcas corporais: a importância desses símbolos para a sociedade. VIDYA, v. 29, n. 2, p. 71-86, 2009.

Gerhardt, Tatiana Engel; Silveira, Denise Tolfo (orgs.). Métodos de pesquisa. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2009.

INE. Censo Geral da População. Maputo. 2017

Machava, Paula Lúcia Salvador. Santos ou Diabos: uma reflexão sobre os ritos de iniciação femininos e a opressão da mulher. Cabo dos Trabalhos, n. 17, 2019.

Marconi, Marina de Andrade; Lakatos, Eva Maria. Fundamentos da metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2003.

Marcos, Daniel A. Os ritos de iniciação na cultura yao e o impacto na pedagogia educativa no Niassa-Moçambique. Njinga & Sepé: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras, v. 1, p. 183-199, 2021.

Ministério do Gênero, Criança e Ação Social. Plano Nacional de Acção para Prevenção e Combate à Violência contra a Mulher. Maputo, p. 31. 2009.

Moçambique. Lei n.º 29/2009, de 29 de Setembro. Lei sobre a Violência Doméstica praticada contra a Mulher. Boletim da República, I Série, n.º 38, 2.º Suplemento, 2009.

Nhaueleque, Laura A. www.macua.blogs.com. Moçambique para todos, 23 Junho 2020. Disponível em: https://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2020/06/ritos-de-inicia%C3%A7%C3%A3o-entre-os-amakhuwa-do-norte-de-mo%C3%A7ambique-e-respeito-dos-direitos-humanos.html.

Organização das Nações Unidas. Declaração sobre a eliminação da violência contra as mulheres. Assembleia Geral das Nações Unidas. 1993.

Organização Pan-americana da Saúde; Organização Mundial da Saúde. Violência contra a mulher, estratégia e plano de ação para o reforço do sistema de saúde para abordar a violência contra a mulher. 67.ª SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL DA OMS PARA AS AMÉRICAS. Washington, D.C. 2015.

Osório, Conceição. Os ritos de iniciação: Identidades femininas e masculinas e estruturas de poder, 2015. Disponível em: https://www.wlsa.org.mz/wpcontent/uploads/2015/11/Ritos2015.pdf. Acesso em: 27 jul. 2023.

Pedro, Gilda. Ritos de iniciação e o processo de ensino-aprendizagem no espaço sociocultural de Moçambique. Monografia (Licenciatura). Maputo: Universidade Eduardo Mondlane – UEM, 2020.

Pinto, Sara Maria Xavier. Casamentos prematuros no contexto dos ritos de iniciação femininos, praticados pela etnia Macua: olhares de finalistas do curso de licenciatura em Serviço Social. Dissertação (Mestrado em Relações Interculturais). Lisboa: Universidade Aberta, 2017.

Ruschel, Ângela E. et al. Mulheres vítimas de violência sexual: rotas críticas na busca do direito ao aborto legal. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, p. 1-12, 2022.

Published

18-09-2026

How to Cite

Benzane, R. A. (2026). Winela emwali: análise dos valores transmitidos às raparigas nos ritos de iniciação e a sua relação com a tolerância à violência doméstica: Winela emwali: analysis of the values transmitted to girls in initiation rites and their relationship with tolerance of domestic violence. NJINGA&SEPÉ: evista nternacional e ulturas, Línguas fricanas rasileiras, 6(3), 64–80. etrieved from https://revistas.unilab.edu.br/njingaesape/article/view/1696