O dialeto baiano e a variação sociolinguística: identidade, transformações históricas e expressões do “baianês”
Le dialecte bahianais et variation sociolinguistique : identité, transformations historiques et expressions du « portugais bahianais »
Palavras-chave:
Dialeto baiano, Sociolinguística, Variação linguística, Identidade cultural, Salvador (BA)Resumo
O presente artigo discute o dialeto baiano enquanto manifestação linguística e sociocultural do português brasileiro, sob a perspectiva da Sociolinguística e dos estudos da variação linguística. Parte-se do princípio de que a língua é um fenômeno heterogêneo e socialmente condicionado, conforme defende Labov (2008, p. 238), ao afirmar que “a variação é inerente ao sistema linguístico e reflete a organização social dos falantes”. Nesse sentido, o estudo analisa a formação histórica do falar baiano, suas influências sociais e culturais e as transformações ocorridas ao longo do tempo, com destaque para o uso em Salvador e em outras cidades do estado da Bahia. Considera-se ainda a contribuição dos estudos brasileiros da Sociolinguística, especialmente aqueles que discutem a diversidade do português falado no país. Para Bortoni-Ricardo (2004, p. 33), “não existe uma única forma legítima de falar português, mas diferentes variedades que se constroem nas práticas sociais”. De modo semelhante, Bagno (2007, p. 36) ressalta que “toda língua varia e muda, e essa variação não é defeito, mas característica essencial das línguas naturais”. A partir dessa perspectiva teórica, apresentam-se exemplos lexicais e expressões características do baianês — como “lá ele” — e seus significados no contexto comunicativo regional, evidenciando aspectos pragmáticos, identitários e culturais. O estudo demonstra que o dialeto baiano constitui elemento simbólico da cultura local e instrumento de pertencimento social, revelando relações profundas entre língua, sociedade, história e identidade coletiva.
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Cet article examine le dialecte bahianais comme une manifestation linguistique et socioculturelle du portugais brésilien, dans une perspective sociolinguistique et à travers l'étude de la variation linguistique. Il part du principe que le langage est un phénomène hétérogène et socialement conditionné, comme le soutient Labov (2008, p. 238), qui affirme que « la variation est inhérente au système linguistique et reflète l'organisation sociale des locuteurs ». Dans cette perspective, l'étude analyse la formation historique du bahianais, ses influences socioculturelles et les transformations qu'il a subies au fil du temps, en mettant l'accent sur son usage à Salvador et dans d'autres villes de l'État de Bahia. L'apport des études sociolinguistiques brésiliennes est également pris en compte, notamment celles qui traitent de la diversité du portugais parlé dans le pays. Pour Bortoni-Ricardo (2004, p. 33), « il n'existe pas une seule manière légitime de parler portugais, mais différentes variétés construites par les pratiques sociales ». De même, Bagno (2007, p. 36) souligne que « toute langue varie et évolue, et cette variation n’est pas un défaut, mais une caractéristique essentielle des langues naturelles ». Dans cette perspective théorique, des exemples lexicaux et des expressions caractéristiques du dialecte bahianais – comme « lá ele » – ainsi que leurs significations dans le contexte communicatif régional sont présentés, mettant en lumière les aspects pragmatiques, identitaires et culturels. L’étude démontre que le dialecte bahianais constitue un élément symbolique de la culture locale et un instrument d’appartenance sociale, révélant des liens profonds entre langue, société, histoire et identité collective.
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