Saberes tradicionais e plantas medicinais na promoção, prevenção e cura de doenças e a Política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos
Connaissances traditionnelles et plantes médicinales dans la promotion, la prévention et le traitement des maladies et la politique nationale relative aux plantes médicinales et à la phytothérapie
Keywords:
Pesquisa Multidisciplinar, Saberes Populares, Plantas MedicinaisAbstract
O conhecimento científico não se encontra nas universidades apenas. Existem outros espaços sociais em que o conhecimento científico se observa, mesmo sem uso do método científico previsto nos manuais universitários. O presente estudo tem como objetivo investigar a presença dos saberes tradicionais e das plantas medicinais no processo de promoção, prevenção e cura de doenças e conhecer a política pública brasileira sobre plantas medicinais e fitoterápicos. Esse estudo se constitui de abordagem qualitativa e natureza descritiva e analítica, sendo desenvolvido por meio de pesquisa bibliográfica e documental, realizadas em repositórios eletrônicos, com complemento de observação empírica. A análise fundamenta-se na interpretação das fontes consultadas, sem recorte temporal. Os achados indicam que os conhecimentos e o uso de plantas tradicionais são conhecimentos milenares aplicados em tratamentos de doenças pela medicina tradicional e popular, bem como as políticas públicas implantadas nas últimas décadas fortalecem o reconhecimento dos conhecimentos populares e da eficácia das espécies medicinais no cuidado com a saúde. Porém, indicam a necessidade de formação qualificada dos profissionais de saúde para orientar e prescrever as medicações, atendendo às necessidades individuais de cada usuário do Sistema Único de Saúde-SUS.
*****
Le savoir scientifique ne se limite pas aux universités. Il existe d'autres espaces sociaux où il s'exprime, même sans recourir à la méthode scientifique enseignée dans les manuels universitaires. Cette étude vise à explorer la présence des savoirs traditionnels et des plantes médicinales dans la promotion, la prévention et le traitement des maladies, et à comprendre les politiques publiques brésiliennes relatives aux plantes médicinales et aux produits phytothérapeutiques. Adoptant une approche qualitative, descriptive et analytique, cette étude s'appuie sur une recherche bibliographique et documentaire menée dans des bases de données électroniques, complétée par une observation empirique. L'analyse repose sur l'interprétation des sources consultées, sans limitation temporelle. Les résultats indiquent que la connaissance et l'usage des plantes traditionnelles constituent un savoir millénaire appliqué au traitement des maladies par la médecine traditionnelle et populaire, et que les politiques publiques mises en œuvre ces dernières décennies renforcent la reconnaissance de ces savoirs et de l'efficacité des espèces médicinales dans les soins de santé. Ils soulignent toutefois la nécessité d'une formation qualifiée des professionnels de santé afin qu'ils puissent orienter et prescrire les médicaments en fonction des besoins individuels de chaque usager du Système unifié de santé (SUS).
Downloads
References
BANDEIRA, J.M et al. Composição do óleo essencial de quatro espécies do gênero Plectranthus. Rev. bras. plantas med., Botucatu, v. 13, n. 2, 2011.
BENJAMIN, G.; FAVORETO, R. Cordia verbenaceae DC Boraginaceae. Revista Fitos, v. 7, n.1, p. 17- 25., jan./mar. 2012.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais. Brasília, DF: Anvisa, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/orientacoes-sobre-o-uso-de-fitoterapicos-e-plantas-medicinais.pdf/view. Acesso em: 6 ago. 2026.
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2025]. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 31 jul. 2026.
BRASIL. Decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006. Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 23 jun. 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/decreto/d5813.htm. Acesso em: 6 ago. 2026.
BRASIL. Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006. Cria o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) com vistas a assegurar o direito humano à alimentação adequada e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 18 set. 2006. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11346.htm. Acesso em: 6 ago. 2026.
BUSS, P. M; PELLEGRINI FILHO, A. A saúde e seus determinantes sociais. Physis: Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 77-93, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/physis/a/msNmfGf74RqZsbpKYXxNKhm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 5 ago. 2026.
DI SOUZA, A. B. Q. Plantas medicinais, fitoterapia e fitoterápicos: você conhece os termos? In: PEDROSO, R. dos S.; ANDRADE, G; PIRES, R. H. Plantas medicinais: uma abordagem sobre o uso seguro e racional. Rio de Janeiro: Atheneu, 2021.
ECKERT, C. Memória Coletiva e Identidade Narrativa. In: FERREIRA, M. L. M.; FERREIRA, F.M. (Org.). Memória, patrimônio e tradição. Pelotas: Editora e Gráfica, Universitária – UFPel, 2010.p.169-196.
GALLOIS, D. T (org.). Patrimônio cultural imaterial e povos indígenas: exemplos no Amapá e norte do Pará. São Paulo: Iepé, 2006.
GIACOMAZZI, SANTOS, G. dos; MACEDO, J. R.; BALDE, S. Sociedades Africanas: religiosidades, identidades e conexões globais [recurso eletrônico]. Recife: EDUPE, 2024.
GRANJO, P. O Cheiro do Sangue de Ovelha. Lisboa: Tinta da china, Lda, 2024.
HOFFMANN, D. O guia completo das plantas medicinais: ervas de A a Z para tratar doenças, restabelecer a saúde e o bem-estar. São Paulo: Cultrix, 2017.
HOUNTONDJI, P. J. Conhecimento de África, Conhecimento de Africanos: Duas Perspectivas Sobre os Estudos Africanos: Duas perspectivas sobre os Estudos Africanos. In: SANTOS, B. de S.; MENESES, M.P. (Org.). Epistemologias do Sul. Coimbra: Edições Almedina, 2009, p.119-131.
KITO, F. T.; LACERDA, K. da S. Histórico das plantas medicinais. In: VITORELLO, C. B. M. (org.). Plantas medicinais e fitoterapia: tradição e ciência. Piracicaba, SP: Universidade de São Paulo, 2023. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1102. Acesso em: 1 ago. 2026.
LEAL, A. Cultura e Memória: percepções das lembranças re-existentes no tempo. Geo UERJ, Rio de Janeiro, ano 13, nº. 22, v. 2, 2º sem. de 2011 p. 350-361 - ISSN 1981-9021.
LIMA, I. M. de F. Representações da África no Brasil: Novas Interpretações. Recife: Editora Bagaço, 2018.
LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2.ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
MACEDO, S. B. de; MURTA, N. M. G; REZENDE, E. G; CAMBRAIA, R. P. Conhecimento popular sobre plantas medicinais em município do Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 50, n. esp. 2, 2026. Disponível em: https://revista.saudeemdebate.org.br/sed/article/view/10585. Acesso em: 01 ago. 2026.
MALOMALO, B. Filosofia do Ubuntu: valores civilizatórios das ações afirmativas para o desenvolvimento. Curitiba: CRV, 2014.
MATOS, J. S.; SENNA, A. K. de. História oral como fonte: problemas e métodos. Revista Historiæ. Rio Grande, Vol.2, n.1, p.95-108, 2011.
MENEZES, A. L. T. de; FONTELES FILHO, J. M. Plantas medicinais indígenas: usos, saberes, sentidos. Fortaleza: IPECE, 2011. Disponível em: https://www2.ipece.ce.gov.br/SWAP/swapii/salvaguardas/PLANTAS_MEDICINAIS_INDIGENAS.pdf. Acesso em: 2 ago. 2026.
MONTEIRO VITORELLO, C. B.; MENDES, J. F. Plantas medicinais e fitoterapia: tradição e ciência [recurso eletrônico], Piracicaba: FEALQ, 2023.
PEDROSO, R. dos S; ANDRADE, G; PIRES, R. H. Plantas medicinais: uma abordagem sobre o uso seguro e racional. Rio de Janeiro: Atheneu, 2021.
SANTOS, A. B. dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora, 2023. Disponível em: Antônio Bispo dos Santos - A terra dá, a terra quer-Ubu Editora (2023) (1).pdf. Acesso em 17 de out. 2025.
VANSINA, Jan. A tradição oral e sua metodologia. In: KI-ZERBO, Joseph (org.). História geral da África: metodologia e pré-história da África. 2. ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010. v. 1, p. 141-166.
VARELA, D.S.S, AZEVEDO, D.M.S. Saberes e práticas fitoterápicas de médicos na estratégia saúde da família. Trab. Educ. Saúde, Rio de Janeiro, v. 12 n. 2, p. 273-290, maio/ago. 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tes/a/vZNnvsqMFTXhyTFG6wczXdj/?format=pdf&lang=pt&ilang=pt_BR. Acesso em: 07 ago. de 2026.
VITORELLO, C. B. M. (org.). Plantas medicinais e fitoterapia: tradição e ciência. Piracicaba, SP: Universidade de São Paulo, 2023. DOI: 10.11606/9786589722496. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/1102. Acesso em: 01 ago. 2026.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Copyright (c) 2026 NJINGA&SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras

This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Authors who publish in this journal agree to the following terms:
Authors maintain copyright and grant the journal the right to first publication, the work being simultaneously licensed under the Creative Commons Attribution License, which allows the sharing of the work with recognition of the authorship of the work and initial publication in this magazine.
Authors are authorized to assume additional contracts separately, for non-exclusive distribution of the version of the work published in this journal (eg, publishing in institutional repository or as a book chapter), with acknowledgment of authorship and initial publication in this journal.
Authors are permitted and encouraged to publish and distribute their work online (eg in institutional repositories or on their personal page) at any point before or during the editorial process, as this can generate productive changes, as well as increase impact and citation of the published work (See The Effect of Open Access).