Economias políticas da doença e da saúde: população, raça e letalidade na experimentação farmacêutica

Autores

  • Rosana Castro

Palavras-chave:

Pesquisa clínica; Corpo; Valor.

Resumo

A experimentação farmacêutica em seres humanos no Brasil configura um campo crescente de articulação de interesses de diversos atores nacionais e internacionais. Empresas do setor reconhecem na população do país uma grande diversidade racial de pessoas adoecidas e sem acesso a tratamento adequado como fator de interesse para seus investimentos no país. Autoridades públicas e pesquisadores brasileiros, por sua vez, apresentam a pesquisa clínica como uma via de acesso gratuito e antecipado a tecnologias de saúde à população. Neste trabalho, discutem-se as associações entre categorizações raciais, precariedades no acesso à saúde e oportunidades de realização de experimentos e as caracterizações desses empreendimentos globais como um negócio e uma dádiva. Reflete-se, ainda, sobre como os estudos clínicos articulam biopolíticas e necropolíticas contemporâneas ao capitalizarem sobre condições letais de vida de sujeitos brasileiros para o desenvolvimento de biotecnologias de saúde.

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Publicado

2005-2019