Na metade de 2018, em uma reunião do corpo docente do colegiado de antropologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, decidiu-se pela criação da Ayé: Revista de Antropologia. O curso, fundado em 2014, completava então quatro anos e a construção de um periódico foi concebida como uma forma de publicização da produção docente e discente dos pesquisadores e pesquisadoras envolvidos no bacharelado. A fundação do mestrado em antropologia, uma iniciativa da cooperação entre a UNILAB e a UFC, também figurou como uma força catalisadora para este projeto, pois na época estimamos que o presente periódico poderia também servir de canal de divulgação para as produções dos discentes do programa.
Diante da profusão de revistas acadêmicas de Antropologia, a Ayé se diferencia por ser o primeiro periódico da área do Ceará, bem como pela proposta editorial que mescla a publicação de trabalhos de pesquisadores (as) já consolidados (as) na carreira e os (as) iniciantes, os (as) quais agora acharão abrigo na seção “Primeiros Passos”. Ademais, a proposta editorial da revista acolhe, na seção “Ensaios”, textos mais curtos que o usual, além de traduções de artigos importantes na área, como é o caso do trabalho da antropóloga americana Zora Hurston, presente no primeiro número. O referido texto consiste na primeira produção acadêmica da autora traduzida para o português.
A revista, cujo nome tomou emprestado um vocábulo da língua Iorubá que significa “Terra” ou “Mundo”, está aberta a toda gama de trabalhos vinculados aos mais diferentes campos da disciplina e tem como meta a pluralidade temática. Deve-se observar, que dado o projeto da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira e o engajamento do Curso de Antropologia nas lutas antirracistas, a Ayé procurará criar números étnico e racialmente diversos e trabalhará no sentido de realizar traduções de antropólogos (as) negros e indígenas e dossiês que enderecem as antropologias das populações do continente africano e afro-brasileiras.