O poder da palavra e implícitos conversacionais no discurso político de Pieter W. Botha
Palavras-chave:
Análise, Discurso, Inferência, Implicaturas conversacionaisResumo
O presente artigo reflete sobre o poder da palavra, tendo em conta as implicaturas conversacionais e visa analisar os efeitos pragmáticos e retóricos da linguagem utilizada por Pieter W. Botha no seu discurso de 1985, considerando os implícitos conversacionais, com o intuito de compreender como esses recursos linguísticos contribuíram para a sustentação ideológica do apartheid e para a perpetuação de um regime baseado na exclusão e no silenciamento do outro, bem como identificar os tipos de implícitos conversacionais presentes no discurso no seu discurso. O trabalho adotou a perspectiva de Grice (1975). A escolha desse discurso resulta do facto de que, apesar de o mesmo ter mais de 30 anos ainda é atual, na medida em que as estratégias discursivas usadas na época, ainda hoje fazem ecos nos nos discursos políticos. Por ser de natureza descritiva e interpretativa, o trabalho adotou uma metodologia baseada em consulta bibliográfica, recorrendo as principais obras que abordam sobre o tema. Os dados analisados foram constituidos a partir do discurso de 1985 de Botha. A análise foi feita mediante trechos de falas retirados no referido discurso. a seleção baseou-se no objetivo do estudo. Análise revelou que a linguagem desempenhou um papel central na sustentação ideológica do regime do apartheid. Por meio de implicaturas conversacionais, insinuações, ironia, eufemismos e omissões estratégicas, Botha construiu enunciados que ocultavam a violência institucional, ao mesmo tempo em que legitimavam a repressão e a exclusão racial. A análise permitiu também verificar a violação sistemática das máximas conversacionais, ao recorrer a metáfora, a ironia, a insinuação. Contudo, pode dizer-se a perspectiva de análise adotada permitiu fazer generalizações ao discurso selecionado, denotando que o mesmo é ideológicamente carregado
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