A substituição de preposições de movimento no português emergente em Moçambique: estudo de caso dos alunos da 11ª classe da Escola Secundária Samora Moisés Machel
Kushandurwa kwemapreposheni ekufamba muchiputuketsi chiri kukura mu mozambique: nyaya yevadzidzi veformi 11 kuchikoro chepamusoro Samora Moisés Machel
Resumo
Este artigo investiga a realização das preposições em verbos de movimento no Português de Moçambique, doravante PM. A regência de verbos de movimento é uma área que continua a ser considerada crítica no PM. Com esta pesquisa, objetiva-se, no geral, compreender como os alunos da Escola Secundária Samora Moisés Machel procedem com a regência verbal em verbos de movimento. Especificamente, pretende-se, com o trabalho: (i) Analisar construções frásicas produzidas pelos alunos da Escola Secundária Samora Moisés Machel, envolvendo verbos de movimento; (ii) Descrever as principais mudanças de preposições regidas por verbos de movimento nas sentenças dos alunos da 11ª Classe da ES - Samora Moisés Machel; e (iii) Explicar alguns fenómenos que afetam a ocorrência das preposições de movimento no PM. O estudo é de natureza descritiva, com abordagem (qual é a abordagem?) e de campo, onde se usou a produção textual, como instrumento de recolha de dados, a qual aplicou-se a 115 informantes da 11ª classe, da escola em alusão. O corpus da presente pesquisa é constituído por 16. 833 palavras, e um subcorpus constituído por 219 estruturas frásicas, extraídas de 115 produções textuais. Dos 115 sujeitos informantes, 64 são de sexo feminino, que correspondem aproximadamente a 55.6.%, e os restantes são de sexo masculino, correspondendo aproximadamente a 44.4% dos informantes. Os resultados do estudo mostram que os nossos informantes, quando usam os verbos de movimento direcional, fazem a regência alternada entre para, a e em, sobretudo, em verbos ir, chegar, vir, voltar. Assim, recomenda-se que seja tomada como norma o quadro de regência dos verbos de movimento ir, chegar e passar os quais ocorrem preferencialmente com as preposições a, de, em e para no PM.
*****
PFUPISO
Chinyorwa ichi chiri kuongorora mashandisirwo e ma preposição pa ma verbo anoratidza kufamba mu Chiputukezi chinotaurwa mu Mozambique, chinonzi Portuguese of Mozambique (PM). Kunyatsotevedza mutemo we regência verbal pamazwi anoratidza kufamba (ma verbo de movimento) chiri chinetso chinoramba chiripo mu PM. Chinangwa chikuru chetsvakiridzo iyi ndechekunzwisisa kuti vadzidzi ve Chikoro chePamusoro cheSamora Moisés Machel vanobata sei nyaya ye regência pama verbo aya. Zvakanyatsobudiswa muchinyorwa ichi zvinoratidza kuti tsvakiridzo iyi ine zvinangwa zvakati wandei: kuongorora mashoko avanonyora ane ma verbo anoratidza kufamba, kutsanangura shanduko dzinoitika pama preposição anosungirirwa ku ma verbo aya, uye kutsvaga zvimwe zvinhu zvinoita kuti kushandiswa kwama preposição aya kuve kwakadaro mu PM. Tsvakiridzo iyi yakaitwa nenzira yekuongorora inonzi descritiva, yakaitirwa munzvimbo chaiyo (field), uye yakashandisa zvinyorwa zvevadzidzi (produções textuais) sekushandisa kwekutora mashoko. Vadzidzi 115 vekirasi ye 11 (Form 3) vakapinda muchidzidzo ichi, uko 64 vakadzi, vachimiririra 55.6%, uye 51 varume, vachimiririra 44.4%. Mashoko ese akaunganidzwa kubva muzvinyorwa aya anosvika 16.833, uye pakabuda subcorpus ine zvirevo 219 zvakatorwa kuti zviite ongororo. Zvakawanikwa zvinoratidza kuti vadzidzi pavanenge vachishandisa ma verbo ane kufamba, vanoshandisa ma preposição akasiyana-siyana, kunyanya para, a, uye em, zvikuru pama verbo ir, chegar, vir, uye voltar. Saka zvakakosha kuti pakudzidzisa kushandiswe mutemo wakajeka we regência pama verbo aya, uyo unosanganisira kushandiswa kwema preposição anokodzera sekuti a, de, em, uye para, sezvazvinonyanya kuitika mu PM.
Downloads
Referências
BARBOSA, Luiz Gustavo Silva. A regência do verbo ir de movimento na comunidade de Alegre, Município de Coromandel (MG). 2013. 48 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura em Letras) – Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas, Universidade de Brasília, Brasília, 2013.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. 18. ed. Lisboa: Edições João Sá da Costa, 2017.
DUBOIS, Jean et al. Dicionário de linguística. São Paulo: Vozes, 2011.
GONÇALVES, Anabela; RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva. Verbo e sintagma verbal. In: RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva et al. (org.). Gramática do português. v. 2, 1. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013. p. 1155-1218.
HOUAISS, Antônio et al. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. 1 CD-ROM.
MATEUS, Maria Helena Mira et al. Gramática da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Caminho, 2003.
MAVUTO, Teblo Manuel Sargilo. A sintaxe da preposição “em” no português moçambicano: um estudo de regência verbal no ensino secundário em Nampula. 2017. 65 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Ensino de Português) – Departamento de Linguagem e Arte e Humanidade, Universidade Pedagógica de Moçambique, Nampula, 2017.
MORAES, Hélio Roberto de. Aspectos sintaticamente relevantes do significado lexical: estudo dos verbos de movimento. 2008. 171 f. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) – Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Araraquara, 2008.
RABÊLO, Sarah Freitas. Sintagmas locativos no português de Moçambique e do Brasil: o papel do contato de línguas. 2016. 99 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Instituto de Letras, Universidade de Brasília, Brasília, 2016.
RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva. Estrutura da frase. In: RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva et al. (org.). Gramática do português. v. 1, 1. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013. p. 303-397.
RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva; XAVIER, Maria Francisca. Preposição e sintagma preposicional. In: RAPOSO, Eduardo Buzaglo Paiva et al. (org.). Gramática do português. v. 2, 1. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013. p. 1497-1564.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 NJINGA e SEPÉ: Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras (ISSN: 2764-1244)

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
1.Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, sendo o trabalho simultaneamente licenciado sob a Creative Commons Attribution License o que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista. A Revista usa a Licença CC BY que permite que outros distribuam, remixem, adaptem e criem a partir do seu trabalho, mesmo para fins comerciais, desde que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. É a licença mais flexível de todas as licenças disponíveis. É recomendada para maximizar a disseminação e uso dos materiais licenciados.
2.Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório digital institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3.Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal, nas redes sociais) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Trata-se da política de Acesso Livre).
