Epistemologia Travesti: ações afirmativas na UNILAB entre disputas, lutas e conquistas

Autores

  • Sol Alves UFRN

Palavras-chave:

Ações Afirmativas; Epistemologia Travesti; Unilab

Resumo

Neste artigo, compartilho reflexões sobre minha trajetória como travesti na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), articulando minha vivência às lutas por acesso, permanência e produção de conhecimento na universidade pública. A partir de uma escrita situada, proponho a noção de uma antropologia travesti — forjada nas disputas políticas e institucionais por ações afirmativas voltadas a pessoas travestis e transexuais. Inspirada por autoras como Luma Andrade (2019), Dediane Souza (2024) e Pietra Paiva (2020), afirmo a centralidade das epistemologias travestis: saberes que emergem das memórias, experiências, corporalidades e identidades que nos atravessam. Para contextualizar esse percurso, retomo o histórico das ações afirmativas na Unilab, com destaque para o Edital nº 33/2017, voltado a estudantes indígenas e quilombolas, que lançou as bases institucionais e políticas para a construção de outras políticas inclusivas — conforme analisado por (FERREIRA et al. 2022) e Ana Eugênio (2021). Foi a partir desse marco que se tornou possível a formulação do Edital nº 29/2019, conhecido como “Edital Trans”, voltado a pessoas transgêneras e intersexuais. Sua posterior revogação, no entanto, marcou um grave retrocesso institucional, resultado direto das políticas de desmonte promovidas pelo desgoverno da época. Este artigo é, portanto, um convite à escuta e à valorização das travestilidades como forma legítima de produzir ciência, reexistir nos espaços universitários e reinventar a universidade pública e democrática a partir das ações afirmativas.

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Publicado

30-01-2026