Ayé: Revista de Antropologia
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia
<p>A Ayé Revista de Antropologia tem como missão publicar trabalhos relacionados às linhas de pesquisa da Antropologia das populações afro-brasileiras, Estudos africanos, Antropologia da ciência, Antropologia do direito, Estudos de gênero, Antropologia das populações rurais/ Antropologia e campesinato, Antropologia urbana, Antropologia do corpo, Etnologia indígena, Antropologia da religião e Antropologia do Estado e do colonialismo. Além disso, busca reunir artigos que resultam de estudos etnográficos que tratam da memória coletiva, da duração, da narrativa, das formas de sociabilidade, dos sistemas simbólicos e políticos do cotidiano e de suas relações de poder. De forma especial, são selecionados os estudos que contribuam para a compreensão de aspectos fundamentais da vida urbana e rural na sociedade brasileira e dos países parceiros tendo em vista as perspectivas políticas e históricas que orientam os fenômenos da cultura nas sociedades complexas.</p>pt-BRAyé: Revista de Antropologia2674-6360BIO-GEO-GRAFIAS “INCOMUNS”: quando o rio é Oxum.
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2024
<p> A manifestação da energia vital cultivada pelo quilombo anima seres vivos e não vivos, perturbando a lógica ocidental de organização da vida e amplificando o campo da (r)existência. A compreensão do rio como um ente que participa das relações de parentescos exige comprometimento e relações de cuidados com o ambiente não necessariamente entendidas pelo mundo ocidental. Aqui busca-se compreender como a “bio-geo-grafia” elaborada pelas memórias quilombolas cria outros modos de fazer pensar, agir, marcar e grafar o território e como se dão as relações de disputa e composição da cidade, propondo um exercício imaginativo com as seguintes suposições: E se os quilombolas fossem convidados à mesa de negociação das decisões que impactam suas vidas nos espaços urbanos? E se fossem escutados e pudessem narrar oficialmente sua cosmovisão de mundo? As comunidades quilombolas elaboram sofisticadas formas de viver mesmo em situações arruinadas pelo mundo capitalista e podem inspirar outras relações territoriais.</p>Patrícia Gonçalves PereiraPâmela Marconatto MarquesJosé Carlos Gomes dos Anjos
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2026-01-302026-01-3017Os desafios do Período das Onças: uma breve etnografia entre gente, gado e carnívoros
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2121
<p><span style="font-weight: 400;">Este artigo aborda a predação de gado por grandes carnívoros na comunidade Kalunga da Prata. Buscamos identificar e compreender conceitos e perspectivas locais, incluindo a própria noção do "Período das Onças". A pesquisa de campo foi realizada em 2023, com doze criadores de gado locais. A partir dos relatos dos moradores, examino as relações da comunidade com a fauna, incluindo o sistema de classificação de riscos local e as percepções atribuídas aos grandes carnívoros. Em seguida, discuto as categorias de "desafio" presentes nas conversas e os métodos utilizados pela comunidade para reduzir os conflitos. Na conclusão, reflito sobre os achados da pesquisa à luz da biologia da conservação.</span></p>Francisco Octávio Bittencourt de SousaJosé Luiz de Andrade Franco
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2026-01-302026-01-3017Expediente
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2650
Lailson Ferreira da Silva
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2026-01-312026-01-3117Apresentação
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2651
Lailson Ferreira da Silva
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2026-01-302026-01-3017Clubes de leitura: espaços para a conscientização e socialização feminista
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/1912
<p>Este artigo explora o papel dos clubes de leitura feministas emergentes na Catalunha. Embora a literatura anterior tenha analisado os clubes de leitura tradicionais como espaços de refúgio e debate entre mulheres, pouco se tem examinado o potencial transformador daqueles explicitamente feministas. A partir de uma lógica de pesquisa ativista feminista, o estudo combina o mapeamento de 82 clubes com trabalho de campo etnográfico em vários deles, incluindo um criado e acompanhado pela autora durante três anos. Os resultados mostram que esses espaços não apenas promovem o encontro entre mulheres de diferentes gerações, ideologias e trajetórias, mas também favorecem processos de conscientização feminista e a construção de comunidades críticas e agradáveis em torno da leitura. Dessa forma, o artigo enriquece a compreensão de como a prática coletiva da leitura pode potencializar o ativismo feminista.</p>Andrea Vides de Dios
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2026-01-302026-01-3017uma pedagogia queer dos afetos na universidade: co-constituição autopoiética de uma insurgência afetiva
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/1918
<p>o afeto é como uma espécie de energia invisível, capaz de mudar os corpos na sua relação (De Riba, 2020). Uma força, potencialmente pedagógica, pela possibilidade de devir que proporciona aos/às sujeitos/as e aos seus projetos. Este trabalho ¾do e sobre o afeto¾ apresenta as reflexões resultantes de uma experiência desenvolvida na Universidade de Santiago de Compostela, na Galícia (Espanha), enquadrada no que se tem vindo a designar por uma pedagogia <em>queer</em> do afeto. Assim, através de uma história a duas vozes, narraremos a transformação de dois corpos ¾o de uma participante e o desta teoria e prática pedagógica¾, destacando as oportunidades que os vínculos genuínos entre professoras/es e alunas/os oferecem, não só para o seu desenvolvimento ¾pessoal e profissional¾ mas também para a melhoria e o avanço do conhecimento.</p>aixa permuyLaura Alonso
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2026-01-302026-01-3017A trajetória de lutas das mulheres negras no Brasil e na América Latina e algumas notas sobre os desafios educacionais à igualdade étnico-racial e de gênero.
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/1968
<p>O objetivo aqui é a contextualização histórica e o diálogo sobre as singularidades das lutas das mulheres negras: pelo reconhecimento, afirmação e valorização de suas identidades, pela igualdade e justiça na superação dos efeitos sociais do patriarcado e da escravidão e especialmente pela exortação de suas pautas de lutas e direitos no âmbito do Movimento Negro, assim como fundamento crítico a uma educação antirracista e antissexista. Algumas das principais autoras e intelectuais negras que nos guiarão nessa disposição são: Lélia Gonzalez (1935-1994), Sueli Carneiro (1950-), Matilde Ribeiro (1960-), Luiza Bairros (1953-2016), bell hooks (1952-2021), Patricia Hill Collins (1948-), Angela Davis (1944-) e María Lugones (1944-2020), num breve panorama crítico e histórico do movimento feminista negro e anti-hegemônico. Pretendemos, com isso, evidenciar as questões que distinguem o feminismo negro do movimento feminista branco e hegemônico, ao mesmo tempo em que expormos os eixos de opressão que tradicional e repetidamente se cruzam contra as mulheres negras, compondo a trama particular de suas lutas e resistências.</p>Francisco Vitor Macedo Pereira
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2026-01-312026-01-3117O esporte como inclusão de gênero e a interseccionalidade nos países africanos-Palop
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/1954
<p>O presente estudo pauta-se como resultado de pesquisa pós-doutoral, financiado por órgãos de fomento à pesquisa, desenvolvido na UNILAB (Nordeste brasileiro) pelo seu contexto de integração com países africanos e com grande número de estudantes da África-PALOP (Países africanos de língua oficial portuguesa) - sendo a população desta pesquisa mulheres de origem africana. Teórico-metodologicamente se fundamenta em estudos decoloniais, feminismos africanos e feminismos negros, utiliza o método de intervenção, entrevistas e observação in loco. Recorta como principal território a Guiné-Bissau e o futebol como a modalidade esportiva por ser globalmente lugar do homem, machocêntrico, heterossexual e branco (no Ocidente). E como se caracteriza em países africanos? Objetiva-se discutir e difundir conhecimentos a respeito de inclusão e interseccionalidades no esporte na África, destacando as relações de gênero, trabalho e poder. Nos resultados, as concepções de gênero e esporte na África-PALOP representadas pelo futebol em Guiné-Bissau, apresentou-se como lugar de conflito, insubmissão e empoderamento e suscita pensar em ressignificação da tradição. Tais fatores impulsionaram algumas inclusões de gênero, estas, integralmente são negras, provocando refletir em um modelo de inclusão sem a perspectiva do racismo. Contudo, há complexidade.</p>Ineildes Calheiro
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2026-02-042026-02-0417As Percepções sobre gênero e antropologia feminista com estudantes universitários/as: uma experiência comparada entre a UNILAB e a ULL
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2136
<p>Este estudo tem como objetivo apresentar, comparativamente, as percepções sobre gênero e antropologia feminista entre estudantes de Antropologia da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e da Universidad de La Laguna (ULL), que cursaram o componente curricular "Gênero, Família e Sexualidade". Por meio de grupos focais, analisamos seus discursos sobre gênero na vida cotidiana e no ambiente universitário, bem como o impacto da antropologia feminista em sua formação. Os resultados revelaram diferenças na percepção das desigualdades de gênero, influenciadas pela intersecção de origem, africana ou latino-americana, a classe e o contexto institucional. Apesar dos avanços, estruturas hierárquicas ainda persistem no meio acadêmico, revelando a necessidade de maior formação de conteúdos feministas e decoloniais ao ensino, bem como nas relações cotidianas de convivência. O estudo destaca o papel da antropologia feminista na desconstrução do conhecimento hegemônico e sua contribuição para uma educação crítica comprometida com a equidade do gênero</p>Jhon Alfredo Pazmiño HuapayaVioleta María De Siqueira Holanda
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2026-01-302026-01-3017Epistemologia Travesti: ações afirmativas na UNILAB entre disputas, lutas e conquistas
https://revistas.unilab.edu.br/Antropologia/article/view/2185
<p>Neste artigo, compartilho reflexões sobre minha trajetória como travesti na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), articulando minha vivência às lutas por acesso, permanência e produção de conhecimento na universidade pública. A partir de uma escrita situada, proponho a noção de uma antropologia travesti — forjada nas disputas políticas e institucionais por ações afirmativas voltadas a pessoas travestis e transexuais. Inspirada por autoras como Luma Andrade (2019), Dediane Souza (2024) e Pietra Paiva (2020), afirmo a centralidade das epistemologias travestis: saberes que emergem das memórias, experiências, corporalidades e identidades que nos atravessam. Para contextualizar esse percurso, retomo o histórico das ações afirmativas na Unilab, com destaque para o Edital nº 33/2017, voltado a estudantes indígenas e quilombolas, que lançou as bases institucionais e políticas para a construção de outras políticas inclusivas — conforme analisado por (FERREIRA et al. 2022) e Ana Eugênio (2021). Foi a partir desse marco que se tornou possível a formulação do Edital nº 29/2019, conhecido como “Edital Trans”, voltado a pessoas transgêneras e intersexuais. Sua posterior revogação, no entanto, marcou um grave retrocesso institucional, resultado direto das políticas de desmonte promovidas pelo desgoverno da época. Este artigo é, portanto, um convite à escuta e à valorização das travestilidades como forma legítima de produzir ciência, reexistir nos espaços universitários e reinventar a universidade pública e democrática a partir das ações afirmativas.</p>Sol Alves
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2026-01-302026-01-3017