A Utilização dos ditos populares para um estudo do dialeto do sertão baiano na sala de aula

  • Elisangela Cardoso Ifba

Resumo

O Brasil é considerado um “país-continente”, com uma diversidade enorme de culturas e falares. Contudo, tal diversidade é geralmente ignorada pelas escolas brasileiras, onde grande parte dos professores enfatiza somente o estudo da norma culta através da gramática normativa, desprezando totalmente os demais dialetos da língua, propiciando um ambiente distante da realidade dos alunos. O que se almeja neste artigo é demonstrar que a partir do estudo dos ditos regionais nas aulas de Língua Portuguesa, os alunos podem reconhecer, respeitar e valorizar a cultura e o dialeto regional da população uauaense, bem como combater o preconceito linguístico ainda presente na escola. Sendo assim, este trabalho apresenta um panorama do planejamento e aplicação do projeto “Ditos populares – Língua, história e cultura do povo uauaense”, atividade elaborada por docentes de Língua Portuguesa para alunos do Centro Territorial de Educação Profissional Sertão do São Francisco – CETEP SSF II, município de Uauá - Bahia. Dessa forma, foram analisadas as contribuições da ação do projeto no que se refere ao aprendizado dos alunos, além do impacto dessa atividade na nossa formação docente. Destacamos que as atividades desenvolvidas no presente trabalho representam ganhos tanto para os educandos quanto para os educadores envolvidos no processo. Dessa forma, a discussão se  ampara  no âmbito do aprofundamento do conhecimento linguístico, sempre enfatizando a concepção do aluno como protagonista. Por fim, expõe-se e discute-se as habilidades desenvolvidas através da pesquisa e do estudo dos ditos populares  durante a execução do projeto.

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Publicado
2018-11-29
Como Citar
CARDOSO, Elisangela. A Utilização dos ditos populares para um estudo do dialeto do sertão baiano na sala de aula. Mandinga - Revista de Estudos Linguísticos, [S.l.], v. 2, n. 2, p. 26-37, nov. 2018. ISSN 2526-3455. Disponível em: <http://revistas.unilab.edu.br/index.php/mandinga/article/view/151>. Acesso em: 23 aug. 2019.
Seção
Artigo experimental (acadêmico)

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