Sobre ‘sentar no colo’, ‘buraquinhos’ e ‘carícias indevidas’ ou das Narrações Empáticas que forjam o abuso sexual de crianças

Autores

  • Larissa Nadai

Palavras-chave:

Infância; Estupro; Convenção Narrativa;

Resumo

Este artigo tem por objetivo recompor os termos e tramas narrativas colocados em operação por escrivãs e delegadas da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em casos de estupro e atentado violento ao pudor envolvendo “crianças”. Denominada Narrações Empáticas, tal convenção narrativa se constitui mediante o uso estratégico daquilo que supostamente foi narrado por crianças e adultos implicados em tais investigações policiais. Enquanto para crianças, a narrativa é forjada por meio do uso excessivo de recursos estilísticos tais quais aspas, (sic)s e termos infantis, aos depoimentos dos adultos restarão estetizadas uma gama variada de disputas, dúvidas e ambivalências. Ademais, ao executar tais procedimentos, as profissionais desta corporação definem a priori aqueles sujeitos que serão tratados como “crianças” ao mesmo tempo que desvelam um sentimento muito circunscrito de “infância” e “abuso” que organiza o atendimento por elas prestado.

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Publicado

0403-2020